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segunda-feira, dezembro 20

O JOVEM CRISTÃO E A MASTURBAÇÃO

O JOVEM CRISTÃO E A MASTURBAÇÃO
Vivemos em uma era de liberdade de expressão e de um estilo “livre” de vida. Hoje vemos nos filmes, nas novelas, nas músicas, nas danças, nas roupas da moda, etc., uma comercialização do sexo. Em Gênesis 1:28, Deus disse ao homem: “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”, ou seja, o sexo tinha uma função procriativa e fez Deus uma mulher idônea para Adão para que, dela, ele desfrutasse e, com ela, enchesse a terra (Gn 2:18).
Hoje em dia o sexo está tão banalizado que não há mais aquela expectativa dos noivos em se descobrirem aos poucos, em maravilharem-se um com o outro vivendo uma novidade maravilhosa de um toque, de uma fragrância, de surpresas que fortalecem o casamento e o amor. Com tamanha sobrecarga de “normal” (sexo antes do casamento é normal, homossexualismo é normal, filhos drogados é normal, você tem que aceitar…), porque não devemos ensinar nossos filhos a se masturbarem? Não é normal?
Vamos falar de áreas cinzentas da moralidade
Ao considerar as questões sexuais que não estão especificamente relacionadas na Escritura, tenha em mente certas experiências pré-sexuais que conduzem facilmente à lascívia ou à luxúria.
Nossos pensamentos
A batalha pela pureza sexual sempre começa na mente. Aquilo em que pensamos constantemente, acabamos fazendo. Enchemos nossa mente com o bem ou o mal, o puro ou o impuro, o certo ou o errado. Muitos crentes tentam abrigar ambas as tendências em seus pensamentos.
O pecado sexual declarado é concebido na mente, desenvolvido em várias experiências pré-sexuais, e finalmente torna-se realidade, quando a oportunidade aparece. Não somente a imoralidade resultante é pecado – os pensamentos impuros também são pecados. As palavras de Jesus, no Sermão da Montanha, são freqüentemente citadas a este respeito: “Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5:27,28). Não se confunda, a ponto de dizer: “Visto que já pequei em meu coração, posso também pecar com o corpo”. Estes pecados não são os mesmos! Um é o pecado da mente, e em pensamento apenas uma pessoa peca. O outro é um pecado da mente e do corpo, e, com o corpo, duas pessoas pecam. Na mente, não há união física. Com o corpo, os dois chegam a se conhecer um ao outro de maneira irreversível. Note que, em Mt 5:28, Jesus menciona não apenas olhar, mas olhar para cobiçar. Isto implica um desejo ativo, imaginando uma união ou contato sexual.
Paulo diz que o crente de espírito controlado, na batalha espiritual, está “levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo” (II Co 10:5). E Pedro diz: “Cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios… não vos conformeis às concupscências que antes tínheis na vossa ignorância” (I Pe 1:13,14). Não podemos impedir todo pensamento impuro de entrar na mente, porém somos realmente capazes de controlar os pensamentos que permanecem e se desenvolvem.
Nossos olhos
O que nossos olhos vêem e lêem produz e controla a maior parte de nossos pensamentos. As Escrituras ensinam que os olhos são a “candeia do corpo” (Mt 6:22,23) e que se os “olhos forem maus”, o corpo “será tenebroso”. Esta verdade descreve mais do que um fato físico. Refere-se ao que os olhos deixam entrar na mente.
O apóstolo João adverte contra a “concupiscência dos olhos” (I Jo 2:16). Salomão escreveu: “Dirijam-se os teus olhos para a frente e olhem as tuas pálpebras diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e serão seguros todos os teus caminhos” (Pv 4:25,26). Salomão também diz: “Filho meu, dá-me o teu coração; e deleitem-se os teus olhos nos meus caminhos. Porque cova profunda é a prostituta; e o poço estreito é a aventureira” (Pv 23:26,27).
Devemos nos afastar da pornografia que vem sendo despejada em nosso caminho, lembre-se: “os olhos são a candeia do corpo”. Se você não resiste à tentação, não olhe. Você não pode ser tentado a se masturbar se estiver lendo passagens da Bíblia.
Masturbação é pecado? A maioria dos não-crentes e também muitos crentes crêem que a masturbação não apresenta nenhum problema. Certamente, não acham que é pecado e que só constitui um problema quando é uma obsessão e um substituto psicológico total para as relações sexuais normais.
Masturbação é pecado?
A maioria dos não-crentes e também muitos crentes crêem que a masturbação não apresenta nenhum problema. Certamente, não acham que é pecado e que só constitui um problema quando é uma obsessão e um substituto psicológico total para as relações sexuais normais.
A muitos mitos sobre a masturbação, em escritos católicos e protestantes antigos, a este respeito. Alguns destes mitos são que a masturbação causa danos físicos, que destruirá a habilidade sexual no casamento ou que causará distúrbios emocionais. Estes mitos eram basicamente táticas para amedrontar e tinham pouca base em fatos.
Não há passagem específica na Escritura que fale diretamente da questão da masturbação. Há quem chame a atenção para Gn 38:8-10 e I Co 6:9-10. Concordo com o escritor Herbert J. Miles, que estas passagens não falam de masturbação.
Mesmo assim, a Bíblia fornece orientações que lhe permitirão decidir se a masturbação é pecado ou não. Reflita sobre as seguintes observações:
1. Vejamos à definição de lascívia e luxúria: “Gratificação dos sentidos u indulgência para com o apetite; dedicado aos ou preocupado com os sentidos” e “desejo sexual intenso”. A masturbação encaixa-se definitivamente nestas definições (veja Gl 5:19). Pode-se praticar a masturbação sem lascívia ou luxúria?
2. O teste seguinte é o de sua vida mental. Jesus disse: ” Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5:27,28). Quando uma pessoa pratica masturbação, o que se passa em sua cabeça? As cachoeiras de Paulo Afonso? Pode alguém se masturbar sem imaginar um ato sexual ou ao menos cenas sensuais? O que é que você acha? Se você pratica a masturbação, pode sua mente permanecer pura?
3. Em seguida, reflita sobre a santidade e a intenção da relação sexual no casamento. Sem sombra de dúvida, a masturbação é uma tentativa de experimentar as mesmas sensações que são atribuídas ao casamento. É um substituto do ato verdadeiro – uma farsa, uma falsificação, um dolo.
4. A masturbação é também totalmente egocêntrica. Uma das características do egocentrismo é a auto-indulgência. Paulo descreve o modo de vida de quem é controlado por Satanás, dizendo: “Todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2:3).
5. Finalmente, a masturbação pode nos levar à escravidão. Quando uma pessoa é dominada por uma indulgência carnal, ela peca. “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências” (Rm 6:12). Paulo também diz: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (I Co 6:12). Você é escravo da masturbação?
Reflita sobre os cinco enunciados acima, para determinar se, para você, a masturbação é pecado.
Liberte-se!
O impulso sexual é uma parte normal, dada por Deus, de qualquer homem ou mulher saudável. Envergonhar-se disto é duvidar da bondade de Deus para conosco. Abusar dele é contrariar a graça que Deus tenciona para nós. Ele nos criou com muitos impulsos e desejos, que podemos desenvolver ou usar de maneira errada. Como um deles, o impulso sexual ativa ou destrói os relacionamentos, de acordo com seu controle e aplicação.
A masturbação é um problema comum. Não devemos ter medo de conversar sobre ela nem de ajudar as pessoas a superá-la. Homens e mulheres acham que é um hábito igualmente opressivo, e buscam ajuda para a superação do problema. Compaixão, e não condenação, deve ser nossa resposta.
Minha conclusão é que a masturbação não deve fazer parte da vida do crente. I Coríntios 6:18-20, Gálatas 5:19 e I Tessalonicenses 4:3-7 são passagens que falam sobre a questão do uso de nossos corpos devidamente no sexo. Embora não possamos assentar todos os argumentos que dizem que a masturbação é pecado, não podemos negar que ela é resultado da lascívia e da paixão. Mas, na liberdade da graça de Deus, podemos escolher fazer o que é sagrado e direito aos olhos de Deus.


NOVIDADE PARA SUA IGREJA. ACESSE:
http://bispoluissousa.blogspot.com/2010/12/apostilhas-para-pastores-para-pastores.html

Marca da Santidade: Como trabalhar a santificação do corpo

Marca da Santidade: Como trabalhar a santificação do corpo

Santidade: Como trabalhar a santificação do corpo


É preciso entender que todo cristão deve trazer em si a marca de “santidade ao Senhor”, à semelhança do sacerdote da lei mosaica, que trazia esta inscrição na mitra (Ex.28:36-39). Portanto queremos trazer luz sobre o processo de santificação e, em especial, a santificação do corpo, uma vez que vivemos dias em que a imoralidade que impera no mundo tem entrado pelos portões da Igreja. É necessário começar estabelecendo fundamentos da doutrina de santificação, portanto quero iniciar pelo que considero o fundamento principal deste assunto: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos SANTIFICADOS em Cristo Jesus, CHAMADOS PARA SEREM SANTOS, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”. I Coríntios 1:2.

O texto acima nos mostra que a santificação tem duas etapas:

•inicial – “santificados em Cristo Jesus”;
•progressiva – “chamados para serem santos”. Quando a Bíblia usa o termo “santificados” em Cristo Jesus, não fala de algo que está acontecendo, mas sim de algo que já aconteceu; está no tempo passado. Vários outros textos confirmam que ao encontrarmos Jesus e nascermos de novo, fomos santificados (At.26:18, I Co.6:11, etc). Todo o passado de pecado foi removido e a sujeira espiritual foi lavada (Tt.3:5); tornamo-nos novas criaturas e as coisas velhas já passaram (II Co.5:17). Por outro lado, a mesma Bíblia mostra que depois de termos passado por esta santificação, ainda há necessidade de algo mais, pois o mesmo texto também diz: “chamados para serem santos”.

Estes mesmos que foram santificados inicialmente (uma experiência instantânea) são chamados para SEREM santos. Em outras palavras, o que Deus começou agora deve ser mantido e desenvolvido por cada um de nós. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus”. Hebreus 12:14. Ao falar sobre seguir a santificação, a Bíblia está falando de um processo. Esta carta foi dirigida a pessoas cristãs, portanto já haviam passado pela santificação inicial do novo nascimento. Porém, elas necessitavam de algo mais: um processo de santificação.E o que diferencia estas duas etapas da santificação? O fato do homem ser tripartido (composto de três partes distintas), bem como o da salvação divina tocar de modo distinto cada uma destas partes: “E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso ESPÍRITO e ALMA e CORPO sejam conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. I Tessalonicenses 5:23

Quando o apóstolo Paulo fala sobre Deus nos santificar “completamente”, está falando sobre o nosso ser inteiro, que é composto de espírito, alma e corpo.Seu espírito é a parte de si que tem consciência de Deus e das coisas espirituais. Sua alma é a parte de si que tem consciência de si mesmo. Já seu corpo é a parte de si que tem consciência das coisas naturais. A salvação divina atinge cada uma destas três partes da seguinte maneira:

• ESPÍRITO – já passou pela santificação inicial que se deu na ocasião da regeneração (II Co.1:21 – Tg.1:18 – I Pe.1:21). Agora se desenvolve mediante o processo de crescimento (I Pe.2:2 – Ef.5:15) que corresponde ao crescimento natural (I Co.3:1-3 – Hb.5:13,14);
• ALMA – é a nossa personalidade; sede das emoções, intelecto e vontade. Não é regenerada, mas restaurada (Tg.1:21) pela Palavra de Deus. Enquanto a santificação do espírito é inicial e imediata, a santificação progressiva tem seu lugar na alma e no corpo. É o processo de mudança de valores (Lc.5:33-39 – Ef.4:23 – Jr.18:1-6 – Rm.12:1,2) que também chamamos de desenvolver a salvação (Fl.1:6 e 2:12) e despir-se do velho homem (Ef.4:20 a 5:21).
• CORPO – nosso corpo só será totalmente santificado depois de transformado (Rm.8:23 – Fl.2:21 – I Co.15:50-53). Até que isto aconteça, a santificação do corpo é o processo contínuo de sujeitar a carne (I Co.9:27), guardar-se da imoralidade (I Co.6:13-20 – I Ts.4:1-8) e usar adequadamente os membros do corpo. A santificação do corpo abrange ainda a nossa forma de falar e de vestir (Ef.4:25,29 – I Tm.2:9,10).

O que aconteceu em nosso espírito – a regeneração – é o que chamamos de santificação inicial. Porém o processo de restauração da alma e sujeição da carne é o que chamamos de santificação progressiva. Ao destacar cada uma das três partes que compõem nosso ser enquanto falava da santificação, o apóstolo Paulo estava nos mostrando a necessidade de trabalharmos com cada parte em separado. Escrevendo aos Coríntios, ele falou sobre nos purificarmos das imundícies tanto da carne como do espírito (II Co.7:1).Reconhecida esta diferença, avancemos em nossa meditação considerando o que a Bíblia fala sobre a santificação do corpo, que é o enfoque deste estudo: “Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, QUE CADA UM DE VÓS SAIBA POSSUIR O SEU VASO EM SANTIDADE E HONRA, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.

Porque Deus não nos chamou para a imundície, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao homem, mas sim a Deus, que vos dá o seu Espírito Santo”. I Tessalonicenses 4:3-8 Diante do que as Sagradas Escrituras afirmam neste texto, podemos extrair cinco princípios:
• abster-se da prostituição;
• possuir o corpo em santidade e honra;
• não iludir ou defraudar o irmão nesta área;
• Deus é vingador;
• Rejeitar a santificação é rejeitar a Deus. Examinemos o que a Bíblia tem a dizer sobre cada um deles...

ABSTER-SE DA PROSTITUIÇÃO

O maior inimigo da santificação do corpo é, sem dúvida alguma, a prostituição. É interessante notar que este tipo de pecado não desaparece automaticamente da vida de alguém que nasceu de novo, senão a Bíblia não diria justamente aos nascidos de novo para absterem-se deste tipo de pecado. É impressionante a quantia de vezes em que a Bíblia adverte seus leitores (o povo de Deus) quanto aos perigos deste tipo de pecado! A prostituição (este termo inclui todos os pecados de ordem sexual) é um pecado diferente dos demais: “Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. I Coríntios 6:18 Há algo por trás deste tipo de pecado que ainda não temos percebido. O que Paulo está enfatizando na carta aos irmãos de Corinto é o valor e santidade que o corpo deve ter como templo do Espírito Santo. Observe o contexto deste texto: “Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará, tanto um como os outros.

Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo. Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum. Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um só corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne. Mas o que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos ? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo”. I Co.6:13-20.

Quando meditamos nesta porção bíblica a ponto de deixá-la penetrar em nosso íntimo, uma nova consciência vai se formando. Abster-se da prostituição é um imperativo para todo cristão porque seu corpo é templo do Espírito Santo de Deus! O corpo não foi feito pelo Criador para se prostituir, e sim para carregar em si a presença de Deus, o que não pode acontecer quando o santuário é maculado. Deus criou o corpo do homem com um destino bem definido. Assim como Ele fez o estômago para os alimentos (e vice-versa), o que revela um propósito e destino bem específico, assim também projetou e idealizou o corpo para ser seu santuário. Desde o início Deus queria fazer de nós sua habitação. O corpo não foi criado para a prostituição, mas para ser SANTO de modo a servir como morada de um Deus santo!

POSSUIR O CORPO EM SANTIDADE E HONRA

Não somos donos de nós mesmos. Foi exatamente isto que Paulo afirmou aos Coríntios: “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo”. I Coríntios 6:19-20 Deus nos comprou pelo sangue vertido de Jesus na cruz. Agora não mais pertencemos a nós mesmos, mas sim a Deus. Nosso corpo deixou de ser nosso e passou a ser do Senhor, e Ele deseja que o glorifiquemos com o uso correto do nosso corpo.Precisamos aprender a “possuir” (usar, ser mordomo) o corpo em santidade e honra. Isto fala na apenas de na nos prostituirmos, mas até mesmo da maneira como tratamos nosso corpo: alimentação, vestuário, etc. isto serve para todos, mas em especial para as mulheres! Não creio que possuir o corpo em santidade (diante de Deus) e honra (diante dos homens) inclua o uso de roupas sensuais e provocantes. O crente deve ser diferente! Isto não significa que teremos algum tipo de uniforme (terno para os homens e vestido para as mulheres, por exemplo), mas que devemos mostrar zelo pelo santuário de Deus e não defraudarmos uns aos outros nesta matéria.

O ensino bíblico não deixa isto passar em branco: “Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem COM TRAJE DECOROSO, com modéstia e sobriedade...”. I Timóteo 2:9a Não devemos faltar com o decoro, mas honrar ao Senhor até na forma como nos vestimos. Isto também é possuir o corpo em santidade e honra!

NÃO DEFRAUDAR O IRMÃO

A prostituição é um pecado que não afeta só quem o pratica, mas também quem se envolve nele. Quando duas pessoas se envolvem e ambos são cristãos, além de terem pecado contra Deus e o seu próprio corpo, defraudaram um ao outro. Lesaram uma outra pessoa e vão dar conta a Deus pelas duas coisas...pois a Bíblia declara que Deus é vingador destas coisas!

DEUS É VINGADOR

Os pecados de prostituição não ficarão impunes. A Bíblia diz que Deus é vingador destas coisas. Em Provérbios 6:29 lemos que não ficará impune aquele que tocar a mulher de seu próximo. Deus julgará os pecados de prostituição!Alguns crentes não levam a sério o ensino bíblico e “brincam” com a graça divina, esquecendo-se que “de Deus não se zomba; tudo quanto o homem semear, isto também ceifará” (Gl.6:7). Quando escreveu sua primeira epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo declarou: “Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil”. I Coríntios 10:8 A menção aqui é ao episódio que se deu quando os israelitas estavam nas proximidades de Moabe (Nm.25:1-9) e se entregaram à prostituição com as moabitas. E o relato bíblico mostra que uma praga matou mais de vinte mil homens num só dia! Não se tratava de uma coincidência, mas de juízo sobre o pecado. Quando Finéias, neto de Arão, fez expiação pelo povo, a praga cessou (Nm.25:10-13). Deus é vingador destas coisas!

REJEITAR A SANTIFICAÇÃO É REJEITAR A DEUS

Muitos fazem pouco caso da mensagem de santidade e acham que estão desprezando um pregador que age como porta-voz de Deus. Mas o que a Palavra de Deus de fato ensina é que, quem assim o faz está rejeitando ao próprio Deus e não aos homens que Ele levantou para proclamarem estas verdades. Paulo declarou que quem rejeita estas coisas (a mensagem e exortações acerca da santificação) não rejeita ao homem, mas a Deus! E esta rejeição também atrairá a rejeição divina... Quando um jovem decide se prostituir, não está pecando contra o que seus pais lhe ensinaram. Quando um crente se deixa levar pela imoralidade, não está pecando contra o que seu pastor lhe ensinou. O pecado é sempre contra Deus. Sem santificação ninguém verá ao Senhor. Portanto, o que rejeita esta mensagem rejeita ao próprio Deus!

FUGIR É O MELHOR REMÉDIO

Há pessoas que acham que a melhor maneira de lutar nesta área é resistir este inimigo, mas o conselho bíblico é bem diferente. Não fala de enfrentar ou resistir, mas sim de fugir!Paulo, escrevendo a Timóteo, disse: “Foge também das paixões da mocidade”. II Timóteo 2:22 Quando José se encontrou em dificuldades de resistir os apelos da mulher de Potifar a melhor saída que ele encontrou foi correr! Ela não representava uma ameaça física a José; não podia violentá-lo...o único perigo que José viu foi em si mesmo, na sua carne e desejos. Mas não lidou com o problema de nenhuma outra forma a não ser fugir. Fuja das ofertas do pecado e conserve-se em santidade ao Senhor. Além da benção presente, saiba que haverá um galardão e recompensa para aquele que vencer. Quando o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios, advertindo-os quanto ao perigo deste pecado deu o mesmo conselho: “Fugi da prostituição” (I Co.6:18). Sempre que a Bíblia fala sobre este pecado, ensina a mesma saída. Portanto, siga este conselho!

Que o Senhor o conduza a um viver vitorioso de santidade...

NOVIDADE PARA SUA IGREJA. ACESSE:
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CHAMADO AOS NÃO CONVERTIDOS

CHAMADO AOS NÃO CONVERTIDOS

Sermão

(nº. 174)

Pronunciado na noite de Domingo, 8 de novembro de 1857,

pelo Rev. C. H. Spurgeon

________

Todos aqueles que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está

escrito: maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão

escritas no livro da lei, para fazê-las. (Gal. 3:10).

Meu querido ouvinte. Você está convertido ou não? De sua resposta a esta questão dependerá a forma pela qual me dirigirei a você neste dia.

Queira, eu lhe rogo, pela tua alma, esquecer por alguns momentos que você se

encontra num lugar de culto, ouvindo um ministro do Evangelho, que prega a um auditório numeroso. Tente imaginar que você está sentado em sua casa, em sua sala, e que eu estou ao seu lado, sua mão na minha, conversando sozinho com você; porque é assim que eu desejo falar neste momento a cada um dos que me escutam.

Eu repito então, meu querido auditório, a questão soberanamente importante e

solene que já coloquei, e eu lhe conjuro a responder como na presença de Deus.

Você está em Cristo ou fora dele? Você procurou um refúgio junto daquele que é a única esperança do pecador? Ou você ainda é um estrangeiro na república de

Israel, longe de Deus e fora das promessas de seu santo Evangelho?

Vejamos, meu irmão, sem hesitação ou falsas desculpas; seja sincero e que sua

consciência responda SIM ou NÃO à minha pergunta. Porque, de duas coisas, uma: ou você está sob o peso da cólera de Deus, ou está livre dessa ira. Não há outra alternativa. Sim, você é neste momento mesmo, herdeiro da maldição divina, ou herdeiro do reino da graça. Qual desses dois estados é o seu? Você é que tem de dizer. E que não haja "se" ou "talvez" em sua resposta, mas que ela seja clara, leal, categórica. Se você tem ainda dúvida a este respeito, eu lhe suplico, não dê repouso a sua alma até que a dúvida se dissipe. Sobretudo, não se apresse em interpretar a dúvida em proveito próprio; antes a considere como uma forte presunção contra você. É mais provável, creia, que você esteja no mau estado que no bom. Agora então, ó meu irmão, ponha sua alma na balança e se um dos pratos não pesa mais que o outro, mas os dois se mantêm perto do equilíbrio, de tal sorte que você seja obrigado a dizer "Eu não sei qual", lembre-se que é melhor você decidir a questão pelo pior, ainda que isso seja terrível, do que resolver esta questão pelo bem, correndo o risco de se deixar seduzir e continuar a viver sob uma segurança presunçosa, até que você finalmente reconheça sua fatal ilusão no abismo do inferno.

Pode você então, com uma mão posta na Palavra de Deus e outra em seu próprio

coração, elevar neste instante seus olhos para o céu e dizer com uma humilde

segurança: "Eu sei uma coisa, que estava cego e agora vejo; eu sei que passei da

morte para a vida; eu sou o primeiro dos pecadores, mas Jesus morreu por mim e a menos que eu me engane da maneira mais terrível, eu sou desde agora um dos resgatados por Cristo, um monumento da graça de Deus?" Você pode, em boa consciência, me dar essa resposta? Se é assim, ó meu irmão, a paz de nosso Senhor seja contigo! Que a bênção do Altíssimo repouse sobre sua alma! Não tema; as palavras que vamos meditar não serão mais como raios para você. Leia o versículo 13 do capítulo que tirei meu texto, e aí você encontrará a confirmação gloriosa de suas esperanças – Cristo foi feito maldição por nós, porque está escrito: maldito o que for pendurado no madeiro.

Se então é verdade que você é um filho de Deus, convertido e regenerado, eu

repito, você não tem nada a temer, porque Cristo se fez maldição em seu lugar.

Mas tenho a convicção de que a grande maioria desta assembléia não poderia me dar uma resposta semelhante; e você em particular, meu querido ouvinte (porque quero continuar a me dirigir pessoalmente a você), você não ousaria, não é verdade, falar assim, porque você é estranho à aliança da graça. Você não ousaria mentir a Deus e à sua consciência; por causa disso você diz com uma franqueza que lhe honra: "Eu sei que nunca fui regenerado; eu sou hoje o que tenho sido em todo o tempo". Portanto, é com você que eu quero falar, ó homem! E eu lhe conjuro, por

Aquele que haverá de julgar os vivos e os mortos, por Aquele diante do qual eu e

você deveremos logo comparecer; eu lhe conjuro a escutar com atenção o que tenho a lhe dizer da parte do Senhor, lhe lembrando que este apelo talvez seja o último que lhe será dado a ouvir! E eu te conjuro também, ó minha alma, a falar com fidelidade a estes homens mortais que te cercam, por medo que no último dia, o sangue de suas almas não seja encontrado em roupa, e que tu mesma não sejas reprovada!

Ó Senhor, leve-nos todos a um estado de reverência e introspecção. Queira nos dar, neste momento, ouvidos que ouçam, uma memória que retenha e uma consciência que seja tocada por teu Espírito, pelo amor de Jesus !

Nós dividiremos este discurso em três partes. Primeiro, NÓS JULGAREMOS O ACUSADO; em segundo lugar, NÓS PRONUNCIAREMOS SUA SENTENÇA; e finalmente, se ele se reconhecer culpado e se arrepender (somente nestas condições), NÓS LHE ANUNCIAREMOS A LIBERTAÇÃO.

Primeiro, façamos o JULGAMENTO DO ACUSADO.

11Meu texto diz assim: maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da Lei para as praticar. Homem não convertido, eu lhe pergunto, você é culpado ou não culpado? Você tem perseverado em todas as coisas que estão escritas no livro da Lei? Na verdade, me parece quase impossível que você ouse sustentar sua inocência; mas quero supor, por um instante, que você tenha a triste coragem de fazê-lo. Quero supor que você diga ousadamente: "Sim, eu persevero em todos os mandamentos da Lei." É o que nós vamos examinar, meu caro ouvinte; e antes de tudo, permita-me lhe perguntar se você conhece esta lei que você diz cumprir.

Eu vou lhe dar um simples resumo que chamarei exterior, mas lembre-se que ela possui um sentido interior e espiritual infinitamente mais amplo que seu sentido literal. Escute então o primeiro mandamento da Lei: NÃO TERÁS OUTRO DEUS DIANTE DE MIM.

O quê? Você jamais amou outra coisa além de seu Criador? Você sempre lhe deu o primeiro lugar em suas afeições? Você não tem feito um Deus de seu ventre, ou de seu comércio, ou de sua família, ou de sua própria pessoa? Oh! Você certamente não ousará negar que este primeiro mandamento lhe condena! E o segundo, você o tem obedecido melhor?

NÃO FARÁS PARA TI IMAGEM DE ESCULTURA, NEM ALGUMA SEMELHANÇA DO QUE HÁ EM CIMA NOS CÉUS, OU EM BAIXO NA TERRA, NEM NAS ÁGUAS DEBAIXO DA TERRA.

O quê! Você jamais se curvou diante da criatura?

Jamais colocou qualquer objeto terrestre no lugar de Deus? De minha parte, eu

lhes declaro para minha vergonha, que tive ídolos em minha vida; e se sua

consciência fala com sinceridade, estou certo que ela lhe dirá também: "Ó homem!

Você tem sido um adorador de Mammon, um adorador de seus sentidos; você tem se prostrado diante de seu dinheiro e seu ouro; você tem se inclinado lhes dando honra e dignidade; você tem feito um Deus de sua intemperança, um Deus de suas cobiças, um Deus de sua impureza, um Deus de seus prazeres!

E o terceiro mandamento.

NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR TEU DEUS EM VÃO.

Você ousaria sustentar que não o tem violado? Você jamais proferiu juramentos

grosseiros, ou palavras blasfemas; não empregou ao menos irreverentemente o

nome de Deus, em suas conversas comuns? Diga-me: você tem sempre santificado este nome, três vezes santo? Você nunca o pronunciou sem necessidade? Você nunca leu o livro de Deus distraidamente e com pressa? Você nunca escutou a pregação do Evangelho, sem respeito e recolhimento? Oh! Certamente, aqui também, você tem que se confessar culpado.

E quanto ao quarto mandamento, que trata da observação do sábado.

LEMBRA-TE DO DIA DE DESCANSO PARA O SANTIFICAR.

Há alguém bastante atrevido para dizer que nunca o transgrediu? Oh! Homem,

ponha então sua mão na boca e reconheça que estes quatro mandamentos

bastariam para lhe convencer do pecado e para despejar sobre você a justa cólera de Deus !

Mas continuemos nosso exame.

HONRA A TEU PAI E A TUA MÃE.

O quê! Você pretende não ser culpado neste ponto? Em sua juventude, você nunca os desobedeceu? Você nunca se rebelou contra o amor de sua mãe, nem desprezou a autoridade de seu pai? Folheie as páginas de seu passado. Veja se em sua infância, ou mesmo em sua idade madura, você sempre falou com seus pais como deveria fazer; veja se você sempre os tratou com a honra que eles têm direito e que Deus lhe ordenou lhes dar.

NÃO MATARÁS.

É possível, meu caro ouvinte, que você não tenha violado a letra deste

mandamento; é possível que você não tenha tirado a vida a um de seus

semelhantes; mas você nunca se deixou dominar pela cólera? Ora, a Palavra de

Deus declara expressamente que aquele que se encoleriza contra seu irmão, é um assassino (I Jo 3:15). Julgue, depois disso, se você é ou não culpado.

NÃO COMETERÁS ADULTÉRIO.

Talvez você tenha cometido coisas abomináveis, e esteja mergulhado hoje mesmo, nas mais vergonhosas luxúrias; mas, admitindo que você tenha sempre vivido na castidade mais perfeita, você pode dizer, ó meu irmão, que você não tem nada a lhe reprovar neste mandamento, quando você se coloca na presença destas solenes palavras do Mestre: qualquer que olhe uma mulher para a cobiçar, já cometeu adultério com ela em seu coração (Mt 5:28). Nenhum pensamento lascivo atravessou seu espírito? Nenhum desejo impuro manchou sua imaginação? Oh!

Certamente, se sua fronte não é dura como o bronze, se sua consciência não estiver inteiramente cauterizada, sua resposta a estas questões não deixaria dúvidas.

NÃO FURTARÁS.

Você jamais roubou alguém? Talvez, nesta manhã mesma, você tenha cometido um furto, e se encontra aqui, em meio ao povo, ainda com o produto do seu latrocínio; mas ainda que você seja de uma probidade exemplar, entretanto, não houve momentos em sua vida, em que você provou um secreto desejo de enganar seu próximo? Eu vou mais longe – você nunca cometeu, às escuras e em silêncio,

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algumas daquelas fraudes, que mesmo não sendo contrárias às leis de seu país, não deixam de ser infrações manifestas da santa Lei de Deus?

E quem de nós seria tão audacioso em afirmar que tem obedecido perfeitamente ao nono mandamento?

NÃO DIRÁS FALSO TESTEMUNHO CONTRA TEU PRÓXIMO

Nunca demos ocasião à calúnia? Nós não temos, freqüentemente, interpretado mal as intenções de nossos semelhantes?

E o último mandamento.

NÃO COBIÇARÁS.

Onde está o homem que não tenha pisado este mandamento com os pés? Quantas vezes não temos desejado mais do que Deus nos tem dado? Quantas vezes nossos corações carnais não têm suspirado pelos bens que o Senhor em sua sabedoria julgou melhor nos recusar? Ah! meus amigos; sustentar nossa inocência diante da Lei de Deus, não seria isso, lhes pergunto, um ato de verdadeira loucura? E não lhes parece que a simples leitura desta Lei santa deveria bastar para extrair de nós, cheios de humilhação e penitência, esta frase: “Nós somos culpados, Senhor, somos culpados em todos os pontos?”

Mas ouço alguém me dizer: “Não, não quero me reconhecer culpado. Certamente, não teria a pretensão de perseverar em todas as coisas que estão escritas no livro da Lei, mas ao menos, fiz o que pude. Isto é falso, ó homem! Você se engana e mente diante da face de Deus! Não, você não fez tudo que é possível para perseverar no bem. Em milhares situações de sua vida, você deveria ter agido melhor do que agiu.

O quê! Este homem ousaria afirmar que fez o possível para agradar a Deus, quando o vejo assentado no banco dos escarnecedores, e insultar seu Criador até em seu santuário? O quê! Todos que estamos aqui, não teríamos podido, se tivéssemos querido, resistir àquela tentação, evitar aquela queda cuja lembrança nos condena?

Se nós não fôssemos livres para escapar do mal, sem dúvida seríamos desculpados ao cair; mas quem de nós não é forçado a reconhecer que houve em sua vida momentos solenes, nos quais chamado a escolher entre o bem e o mal,

resolutamente escolheu o mal e virou as costas ao bem, andando assim, sabendo e querendo, no caminho que conduz ao inferno?”

“Ah! Exclama um outro, é verdade que infrinjo a Lei de Deus, mas não sou pior do que aqueles que me cercam”. Pobre argumento é este, meu caro ouvinte, ou

melhor, de fato nem pode ser chamado assim. Você não é, assim creio, pior que o resto dos homens, mas lhe rogo, em que isto lhe é vantagem ? Será uma coisa

menos terrível ser condenado em companhia, ainda que seja, de um único perdido?

Quando, no último dia, Deus disser aos ímpios: Vão, malditos, para o fogo eterno!

Você crê que esta terrível sentença lhe será mais doce, porque ela será dirigida aos milhares, tanto quanto a você?

Se o Senhor precipitasse uma nação inteira no inferno, cada indivíduo sentiria tão vivamente o peso desse castigo, como se fosse o único a carregá-lo. Deus não é como os juízes da terra: se os tribunais fossem entulhados de acusados, talvez

fossem tentados a passar levemente por sobre mais de um processo; mas o

Altíssimo não agirá assim. Infinito em todas as suas faculdades, o grande número de criminosos não será obstáculo para Deus. Ele se mostrará tão justo e inflexível com você, como se não existisse outro pecador como você. Além disso, que você tem, eu rogo, com os pecados de outrem? Você não é responsável, porque cada um levará seu próprio peso. Deus lhe julgará segundo suas obras e não segundo as dos outros. As faltas da mulher de vida má, podem ser mais grosseiras que as suas, mas não se lhe pedirá conta de suas iniqüidades. O crime do assassino pode revelar muito aos meus olhos sobre suas próprias transgressões, mas você não será condenado por ele. Fixe bem em seu espírito, ó homem, que a religião é um negócio entre Deus e você, por isso, lhe conjuro, olhe seu próprio coração e não o de seu próximo.

Mas ouço outro de meus ouvintes falando assim: “Quanto a mim, tenho me

esforçado muito em guardar os mandamentos de Deus e, em certos períodos de

minha vida, creio que tenho conseguido: isso não é suficiente para me pôr ao

abrigo da maldição?” Para responder, meu irmão, permita-me outra vez ler a

sentença contida em meu texto: “Maldito todo aquele que não permanecer em

todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” Ah! Você não se

convence que o Senhor jamais confunde as cores agitadas de uma irresolução

mórbida com a santidade e obediência? Não será uma observação passageira e

intermitente destes mandamentos que ele aceitará no dia do juízo; não, é preciso perseverar em fazer sua vontade. Se então, desde minha mais tenra infância, até a hora em que meus cabelos brancos descerem ao sepulcro, minha vida não for um incessante cumprimento da Lei de Deus, eu serei condenado! Se desde o instante em que minha inteligência recebe seus primeiros raios de luz, eu me torno um ser responsável, até o dia em que, como uma espiga madura, eu sou recolhido nos celeiros eternos, eu não observei em sua inteireza todas as ordenanças de meu Mestre, a salvação pelas obras é impossível para mim, e estarei infalivelmente perdido!

Então, não espere, ó homem, que uma obediência vacilante e sem conseqüência

salvará sua alma. Você não perseverou em todas as coisas que estão escritas no

livro da Lei. Por conseqüência, você está condenado.

Mas outro objeta – “se há vários pontos da Lei que transgredi, não quer dizer que eu seja menos virtuoso”. Eu concordo, meu irmão. Quero supor que de fato você tem sido um modelo de virtude; eu quero supor que você é puro de muitos vícios. Mas releia meu texto (e lembre-se que não é minha palavra, mas a palavra de Deus que você vai ler). “Maldito todo aquele que não perseverar em todas as coisas que estão escritas no livro da Lei.” Note que não está dito para perseverar em algumas coisas, mas em todas as coisas.

Ora, eu lhe pergunto, você tem praticado todas as virtudes? Você tem evitado todos os vícios? Você diz, talvez, para sua defesa: “Eu não sou um intemperante.” Que seja. Mas você não será menos condenado, se você tem sido um fornicário. “Eu jamais cometi impureza”, você grita. Que seja ainda. Mas se você tem profanado o sábado, você tem incorrido em maldição. Você me responde que também nisto você não pode ser reprovado? Eu replico que se você tem tomado o nome de Deus em vão, esta única transgressão basta para lhe condenar. Sobre um ponto ou outro, a Lei de Deus lhe atingirá indubitavelmente. Mas há mais – não somente afirmo (e estou certo que sua consciência confirma também) que você não tem perseverado em todas as coisas que estão escritas na Lei, mas ainda sustento que você não tem

perseverado em guardar em sua inteireza um único dos mandamentos de Deus. O mandamento é de uma grande amplitude, disse o salmista (Sl 109:96), e nenhum homem sobre a terra conseguiu sondar sua profundidade. Não é apenas o ato exterior que nos deixa passíveis da condenação eterna, mas o pensamento, a imaginação, a concepção do pecado, bastam para fazer perder a alma. E lembrem-se, meus caros amigos, que esta doutrina, que pode, eu concordo, lhes parecer dura, não é minha – ela é de Deus.

Se vocês nunca tivessem transgredido a Lei divina, mas se seus corações têm

concebido maus pensamentos ou nutrido maus desejos, vocês merecem o inferno. Se vocês tivessem vivido desde seu nascimento até hoje, em um lugar inacessível, longe de qualquer ser humano, e lhes tivesse sido impossível de fisicamente cometer seja um ato impuro, seja um assassinato, ou uma injustiça, as imaginações de seus corações depravados, só elas bastariam para lhes banir para sempre da presença de Deus. Não! Não há uma alma nesta grande assembléia que possa esperar escapar da condenação da Lei! Todos, desde o primeiro até o último,m devemos nos curvar diante de Deus, e gritar em uma única voz – “Nós somos culpados, Senhor, nós somos culpados!” Quando eu te contemplo, ó Lei, minha carne treme, meu espírito fica perdido!

Quando ouço roncar seu trovão, meu coração se derrete como cera dentro de mim! Como posso suportar tua presença? Como poderei aplacar tua justiça? Certamente, se no último dia eu tivesse de comparecer a teu tribunal, não saberia escapar da condenação, porque minha consciência será minha acusadora! Mas creio que é supérfluo insistir muito neste ponto. Oh! Você que está fora de Cristo e sem Deus no mundo, não se convenceu ainda que você está sob o golpe da cólera divina? Para trás de nós, loucas ilusões! Caí, máscaras da mentira! Lancemos ao vento nossas vãs desculpas e reconheçamos que ao menos que nós sejamos cobertos pelo sangue e da justiça de Cristo, a maldição contida em meu texto, fecha a cada um de nós, individualmente, a porta dos

céus e não nos deixa nada mais a esperar além das chamas da perdição.

II

O acusado é, então, julgado e reconhecido culpado. Agora SUA SENTENÇA TERÁ DE SER PRONUNCIADA. Em geral, os ministros de Deus amam pouco esta tarefa.

De minha parte, lhes confesso, preferiria pregar vinte sermões sobre o amor de

Cristo, do que um único como este.

De resto, me é raro escolher assunto como este, visto que não me parece necessário tratá-lo freqüentemente; entretanto, se nunca o tratasse, se deixasse sempre as ameaças divinas relegadas a segundo plano, sinto que meu Mestre não poderia abençoar a pregação de seu Evangelho, porque Ele quer que a Lei e a graça sejam anunciadas na mesma medida e que cada uma conserve o lugar que lhe é próprio.

Ouçam então, meus irmãos, enquanto que, com dor na alma eu pronunciarei a

sentença levantada contra todos aqueles dentre vocês que não pertencem a Cristo – Pecador não convertido! Você é maldito! Maldito neste momento mesmo! Você é maldito não por causa de um auto-denominado mágico qualquer, cujo pretenso sortilégio só pode despertar medo aos ignorantes; não por algum monarca terrestre que poderia no máximo fazer perecer seu corpo e devastar seus bens; mas maldito pelo seu Criador ! Maldito pelo Monarca dos céus! Maldito! Oh! Que palavra é esta!

Que coisa terrível é a maldição de qualquer parte que ela venha! E a maldição de

um pai, como ela deve ser a mais terrível entre todas! Temos visto pais que, levados ao desespero pela conduta de um filho rebelde e depravado, têm levantado suas mãos aos céus, pronunciando sobre o filho a mais terrível das maldições. A Deus não agrada que eu aprove esse ato! Reconheço, ao contrário, que é tanto temerário quanto insensato. Mas, qualquer que seja a reprovação com que se possa considerar o ato em si, não resta menos verdadeiro que a maldição de um pai imprime sobre aquele que a mereceu, uma vergonhosa, indelével destruição. Oh!

Eu sofro só em pensar o que minha alma provaria se tivesse sido amaldiçoada por aquele que me gerou! Certamente, meu céu estaria coberto por trevas; o sol não brilharia mais em minha vida. Mas ser maldito de Deus!...

Oh! Pecadores, as palavras me faltam para lhes falar o que é esta maldição!...

Mas eu lhes ouço me responder: “Se é verdade que nós temos incorrido na

maldição divina, ao menos não sentiremos seus efeitos durante esta vida; isso é

algo que espera um futuro ainda bem distante, por isso pouco nos inquieta.” Você se engana, ó alma, você se engana! Desde agora a cólera de Deus permanece sobre você. Você não conhece ainda, é verdade, a plenitude da maldição, mas por isso agora mesmo você não é menos maldito. Você ainda não está no inferno; o Senhor não lhe cerrou definitivamente as entranhas de suas misericórdias e não lhe rejeitou ainda para sempre; mas você está debaixo do golpe da Lei. Abra o Livro de Deuteronômio. Leia as ameaças dirigidas ao pecador, e veja se a maldição de Deus não é ali colocada como algo imediato, atual, presente. (Deut. 28:15-16). Está escrito que você será maldito na cidade, isto é, no lugar de sua habitação, de seu trabalho, de seus negócios; você será maldito nos campos, isto é, nos lugares onde você vai procurar o descanso, repouso, o prazer; seu cesto será maldito e também sua amassadeira; o fruto de seu ventre será maldito e o fruto de sua terra; as crias de suas vacas e as ovelhas de seu rebanho; será em sua entrada e em sua saída! Há homens sobre os quais a maldição divina parece pesar de uma maneira visível.

Tudo o que eles fazem é amaldiçoado. Se eles adquirem riquezas, a maldição se

agarra a elas; se eles constroem casas, a maldição cai sobre suas casas. Veja o

avarento: ele é amaldiçoado em seus tesouros, porque sua alma está tão corroída pela ganância e cobiça, que ele não pode desfrutar de seus tesouros mesmos. Veja o intemperante: seu cesto e sua amassadeira são literalmente malditas, porque seu palácio, regado de bebidas embriagadoras, não pode mais usufruir de nenhum alimento. Ele é também maldito em sua entrada e saída, porque desde quando ele atravessa a soleira de sua própria casa, suas crianças correm para se esconder, tal o medo que ele lhes inspira. E será maldito um dia, no fruto do seu ventre, porque quando seus filhos avançarem na idade, eles seguirão certamente o exemplo de seu pai; eles se darão aos mesmos excessos de seu pai; eles jurarão como ele jurou; eles se aviltarão como ele se aviltou. Hoje, o infeliz procura talvez se convencer que pode, sem grande inconveniente, se embebedar e blasfemar quanto bom lhe pareça; mas que dor aguda atravessará sua consciência (se ainda lhe resta alguma consciência ...), quando vir seus filhos andarem sobre suas vergonhosas pegadas !

Sim, repito, a maldição divina acompanha de uma maneira visível certos vícios;

mas ainda que ela não seja sempre igualmente aparente, na realidade ela não pesa menos sobre qualquer que seja a transgressão da Lei. Você, então, pecador, que vive sem Deus, sem Cristo, estranho à graça de Jesus, saiba, você é maldito –

maldito quando se assenta, maldito quando se levanta ! Maldito é o leito onde você deita; maldito o pão que você come; maldito o ar que você respira! Para você tudo está amaldiçoado. O que quer que você faça, ou aonde você vá, você é maldito!...

Oh! Pensamento terrível! Neste momento mesmo, eu não posso duvidar; eu tenho diante de mim um grande número de criaturas imortais que são malditas de Deus!

Infelizmente! Por que é preciso que um homem fale assim a seus irmãos? Mas

ainda que este dever seja penoso, como ministro de Cristo, eu tenho de cumpri-lo, sem o que eu seria infiel em relação às suas almas que perecem. Ah! Queira Deus que haja nesta assembléia alguma pobre alma que, cheia de pavor, grite: “É verdade então? Eu sou maldito? Maldito de Deus e de seus santos anjos, maldito sobre a terra e no céu - maldito ! maldito ! Sempre maldito !” Oh ! Eu estou convencido que se não quisermos levar a sério esta única palavra –Maldito – não precisará muito para dar o golpe de morte à nossa indiferença e torpor espirituais!

Mas, tenho mais que isto a lhe dizer, meu querido ouvinte. Se você é impenitente e incrédulo, devo lhe advertir que a maldição que hoje está sobre você, não pode em nada ser comparada com aquela que cairá sobre você depois. Você sabe que em poucos anos nós devemos morrer. Sim, jovem, logo você e eu envelheceremos; ou talvez bem antes de alcançarmos a velhice, nos estenderemos sobre nosso leito, para nunca mais nos levantarmos. Nós acordaremos de nosso último sono, e ouviremos murmurar ao nosso redor que nossa última hora vai soar. O médico consultará uma última vez nosso pulso, depois dirá à nossa família amargurada que não há mais esperança! E nós estaremos lá, deitados, imóveis e sem força. E nada virá romper o silêncio lúgubre do quarto mortuário; apenas o barulho monótono do relógio ou o choro de nossa mulher e nossos filhos. E teremos que morrer!... Oh!

Que hora solene será quando formos pegos pelo grande inimigo do gênero

humano: a morte!

Já o gemido despedaça nosso peito; é muito se pudermos articular uma única

palavra; nossos olhos se embaçam; a morte pôs seu dedo frio sobre o calor de nosso corpo e o atingiu para sempre; nossas mãos recusam levantar-se; estamos à beira do sepulcro! Momento decisivo, momento solene entre todos os momentos da vida, é aquele onde a alma entrevê seu destino; onde, como através das fendas de sua prisão de barro, ela descobre o mundo por vir! Oh! Que língua humana poderia exprimir o que passará no coração do não convertido, quando ele estiver diante do tribunal de Deus, e ouvir o estrondo dos raios de sua cólera eterna em suas orelhas e sentir que entre o inferno e ele, não há mais que um intervalo de um momento!

Quem poderia descrever o terror inexprimível que tomará os pecadores, quando se encontrarem na presença das realidades, sobre a existência das quais não tinham querido crer? Ah! Desprezadores que me escutem! Hoje vocês podem rir à vontade das coisas de Deus. Vocês podem, saindo deste recinto, zombar do que acabaram de ouvir, tornar ridículo o pregador e folgar às suas custas. Mas esperem até quando estiverem sobre o seu leito de morte e vocês não rirão mais, eu lhes garanto! Agora que a cortina está cerrada, que o futuro está escondido de seus olhos, lhes é fácil zombar do que virá; mas quando o Senhor levantar a cortina, e os horizontes eternos se desenrolarem diante de seus olhos, vocês não terão mais coragem de rir. O rei Acabe, assentado em seu trono, rodeado de cortesãos, riu do profeta Miquéias; mas não consta que ele tenha rido do profeta, quando uma flecha inimiga, penetrando por uma emenda de sua couraça, o feriu mortalmente (I Re22). Os contemporâneos de Noé riram do venerável ancião que lhes anunciava que o Eterno haveria de destruir o mundo por um dilúvio: sem nenhuma dúvida eles o tinham por um sonhador, visionário, um insensato. Mas em que lhes tornou o seu desdém e sarcasmos, ó céticos, quando Deus fez descer do céu imensas cataratas, quando as fontes do grande abismo foram abertas e o mundo foi inteiramente submerso? Então reconheceram, mas tarde demais, que Noé havia dito a verdade.

E vocês mesmos, pecadores que se encontram neste auditório, quando vocês

estiverem no ponto de serem lançados na eternidade, não creio que rirão ainda de mim e da palavra que lhes anuncio. Antes dirão a si mesmos: “Eu me lembro

daquela época, quando um dia entrei por curiosidade naquele lugar de culto; eu

ouvi um homem que falava de uma maneira forte e solene; naquele momento não gostei muito; entretanto não poderia negar o pensamento de que ele me dizia a verdade e que queria o meu bem. Oh! Como não escutei seus apelos! Como não aproveitei seus avisos! O que não daria para poder ouvi-lo de novo!”

Há pouco tempo um caso bem parecido veio ao meu conhecimento. Um homem

que muitas vezes me havia coberto de zombarias e injúrias, tendo partido num

domingo para uma viagem de passeio, voltou para sua casa apenas a tempo de

morrer. Na manhã da segunda-feira, sentindo seu fim aproximar-se, o que você

pensa que ele fez? Mandou chamar com pressa o servo de Deus que lhes fala neste momento, aquele mesmo que ele havia insultado tantas vezes! Ele queria que ele lhe indicasse o caminho para o céu, que lhe falasse do Salvador. Eu fui

apressadamente e com alegria. Mas infelizmente! Como é triste a tarefa de falar a um profanador do sábado, a um contendor do Evangelho, a um homem que passou sua vida a serviço de Satanás e que chega na sua última hora ! E de fato, o infeliz morreu logo. Ele morreu sem a Bíblia em sua casa, sem oração pedindo a Deus por sua alma, a não ser aquela que eu pronunciava na cabeceira de seu leito... Oh! Meus caros amigos, creiam: é uma coisa terrível morrer sem Salvador! Certa vez, após ter assistido os últimos momentos de um pobre pecador que tocava a salvação de uma forma pela qual eu teria pouca esperança, voltei para casa com a alma quebrada, o coração entristecido, pensando comigo mesmo : “Meu Deus! Que eu possa pregar as insondáveis riquezas de Cristo a cada hora, a cada instante do dia, a fim de que as almas possam olhar para Cristo antes de que lhes seja tarde demais!” Depois, eu pensei no pouco zelo, pouco amor, pouco fervor com o qual tantas vezes anunciei as misericórdias de meu Mestre, e chorei – sim, eu chorei amargamente, sentindo que não pressionei as almas como deveria fazer, ou seja, com insistência e lágrimas,

para fugirem da cólera que há de vir.

A CÓLERA QUE HÁ DE VIR! A CÓLERA QUE HÁ DE VIR! Oh! meus queridos

ouvintes, firmem bem em seus espíritos, eu lhes peço, que esta não é uma palavra vã. As coisas sobre as quais lhes falo não são nem sonho, nem fábulas de velhas.

São verdades, e vocês as conhecerão logo, cada um por sua própria conta. Sim,

pecador, você que não tem perseverado em todas as coisas que estão escritas no

livro da Lei, e que não procurou refúgio junto a Cristo, o dia se aproxima quando as coisas invisíveis se tornarão para você realidades vivas terríveis. E então, oh ! então, o que você fará ? Após a morte, segue o julgamento.

Um dia Jesus, do trono de sua Glória, virá julgar os vivos e os mortos.

Tente imaginar aquele grande e glorioso dia do Senhor. O relógio do tempo soou

sua última hora. As almas dos reprovados vão ouvir sua sentença definitiva. Seu

corpo, ó pecador, é lançado fora do sepulcro; você desenrola a mortalha e olha ...

Mas que barulho terrível é esse? Um barulho formidável que abala as colunas da

terra e faz cambalear até o céu? É a trombeta do arcanjo, a trombeta do arcanjo que ressoa até às extremidades da terra, chamando todos os homens para o

julgamento! Você ouve e treme. De repente uma voz se faz ouvir, voz que é saudada por uns com gritos de desespero, por outros com cantos de alegria. “Eis que ele virá, ele virá, e todo o olho o verá!” E o trono, branco como alabastro, aparece sobre uma nuvem do céu; e sobre o trono, assentado alguém envolto em majestade. É Ele! É o Homem que morreu no Calvário! Eu vejo suas mãos perfuradas, mas que mudança em sua aparência! Nada de coroa de espinhos. Ele compareceu ao tribunal de Pilatos. Agora o mundo inteiro comparece ao seu. Mas ouçam! A trombeta soou de novo. O Juiz abre o Livro. Faz-se silêncio em todo o céu!

A terra está totalmente em silêncio. “Reúnam meus eleitos dos quatro ventos,

meus resgatados das extremidades do mundo.” Também os anjos obedecem.

Como um relâmpago, suas asas separam a multidão. Aqui, estão os justos,

reunidos à direita de seu Mestre; e você, pecador, você é deixado à esquerda.

Você é deixado para suportar o ardor devorador da cólera eterna. As harpas

celestes fazem ouvir doces melodias, mas elas não são doces para você. Os anjos

repetem em coro: “Venham, vocês, benditos do Pai, e possuam por herança o

reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo”; mas esta inefável

saudação não lhe diz respeito. E agora, sobre a face do Senhor se acumulam

nuvens de indignação; relâmpago cobre seu rosto; raios jorram de seus olhos.

Ele olha para você que o desprezou; você que brincou com sua graça, que riu de

sua misericórdia, que profanou o dia de seu repouso, que zombou de sua cruz,

que não quis que ele reinasse sobre sua alma! Ele olha para você, e com uma voz

mais tremenda que dez mil trovões, ele grita: “Aparte-se de mim, maldito!” E

depois ... Não! ... Eu não quero lhe seguir mais longe! Não quero falar nem do

verme que nunca morre, nem do fogo que jamais se extingue; não quero

descrever nem os sofrimentos do corpo, nem as torturas da alma. Que me baste

lhes dizer, pecadores não convertidos, que o inferno é terrível, que a sorte dos

reprovados é pavorosa... Oh! Então fujam, fujam da cólera por vir! Fujam dela

sem demora; fujam dela já, pelo medo que sendo surpreendidos pela morte,

vocês não se vejam transportados, de um golpe, para o meio dos horrores

indizíveis da perdição eterna! Maldito todo aquele que não permanece em todas

as coisas escritas no livro da Lei, para praticá-las.

III

Mas, Deus seja louvado, nós temos agora uma tarefa mais doce a cumprir. Nós

viemos, no nome de nosso Mestre, ANUNCIAR A LIBERTAÇÃO a todo pecador que se arrepende.

Você me diz: “Pregador do Evangelho, você nos condenou a todos”. Isto é

verdade, meus queridos ouvintes. Entretanto, não sou eu, mas Deus é quem

condena. Eu posso dizer diante dos céus: eu lhes amo a todos, individualmente,

como um irmão ama seus irmãos. Se lhes falo com severidade, é unicamente

para o seu bem. Meu coração, minha alma, estão cheios de compaixão por vocês; e em minhas palavras, aquelas aparentemente mais duras, há na realidade mais amor que nos discursos agradáveis daqueles que lhes dizem Paz, Paz! Quando não há paz. Oh! Não creiam que tenho prazer em pregar como fiz hoje. Não, Deus me é testemunha! Eu prefiro mil vezes lhes alimentar de Jesus, de sua doce e gloriosa pessoa, de sua graça e de sua justiça perfeita; também, tenho em meu coração, antes de terminar, de lhes fazer ouvir palavras de paz. Então se aproxime meu irmão; dê-me sua mão e escute a mensagem da graça que lhe trago. Você se sente culpado, condenado, maldito? Você diz neste mesmo instante: “Oh, Deus! Eu reconheço que o senhor será justo em fazer cair sobre mim todo o peso de sua maldição?” Você compreende que longe de poder ser salvo por causa de suas obras, você está inteiramente perdido por causa de seus pecados? E você tem um ódio profundo pelo mal? Você se arrepende sinceramente? Se é assim, cara alma, deixe-me lhe dizer onde você encontrará a

libertação. Homens irmãos! Saibam todos isto. Jesus Cristo, descendente de

Davi, foi crucificado, morto e enterrado. Agora, ele está ressuscitado, e assentado à direita de Deus de onde intercede por nós. Ele veio ao mundo para salvar os pecadores pela sua morte. Vendo que os pobres filhos de Adão estavam sujeitos à maldição, ele mesmo se encarregou dessa maldição e assim lhes libertou. Se, então, Deus amaldiçoou Cristo no lugar deste ou daquele homem, é impossível que ele amaldiçoe esse homem de novo. “Mas Cristo foi amaldiçoado por mim?”

– alguém me pergunta. A isto lhe respondo: Deus o Santo Espírito lhe fez ver seu pecado ? Ele lhe tem feito sentir toda a amargura? Ele lhe ensinou a dar este

grito de humilhação: Oh, Deus! Tem misericórdia de mim que sou pecador? Se,

na sinceridade de seu coração, você pode responder afirmativamente a estas

questões, tenha bom ânimo, meu muito amado; Cristo foi feito maldição em seu

lugar; e se Cristo foi feito maldito em seu lugar, você não está mais sujeito à

maldição. “Mas eu queria ter certeza - talvez você insista; gostaria de não poder

duvidar que Jesus foi realmente feito maldição por mim.” E por que você

duvidaria, meu irmão? Você não vê Jesus expirando sobre a cruz? Não vê suas

mãos e seus pés ensangüentados? Olhe para Ele, pobre pecador. Não olhe mais

para si nem para suas iniqüidades; olhe para Ele e seja salvo. Tudo o que ele

exige de você, é que você olhe para Ele e por isso mesmo Ele lhe dará a sua

segurança. Venha a Ele, confie e creia. Oh! Eu lhe suplico, aceite com

simplicidade e fé esta declaração da Escritura: é uma coisa certa e digna de ser

recebida com inteira confiança, que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar o

pecador.

O quê? Alguém ainda objeta. “Devo crer então, que Jesus morreu por mim,

simplesmente porque eu me sinto pecador?” Justamente, meu irmão. “Mas no

entanto, me parece que, se eu possuísse alguma justiça, se pudesse fazer belas

orações ou boas obras, seria mais direito concluir que Cristo morreu por mim.”

Você se engana, meu irmão, você se engana. A fé que então você teria, não seria

mais a fé; isso seria justiça própria e nada mais. Uma alma crê em Jesus, quando o pecado lhe parecendo em todo seu negror, ela se lança simplesmente nos seus braços, e se dá a Ele para a purificar de todas as suas manchas. Então vá, pobre pecador, como você está, com sua indignidade e miséria; tome em suas mãos as promessas de Deus, e, ao entrar em sua casa, procure a solidão de seu quarto.

Lá, ajoelhe-se junto ao seu leito, derrame sua alma diante de Deus. Diga a este

Deus que é rico em compaixão e abundante em misericórdia: “Oh, Senhor! Eu

sei que tudo o que acabo de ouvir é verdade. Sim, eu sou maldito e maldito

justamente! Eu sou um pecador que merece a condenação eterna. E tu sabes, ó

Senhor, estas confissões tomam agora em minha boca um sentido completamente diferente. Ao reconhecer que sou pecador, quero dizer que sou

um verdadeiro pecador. Eu quero dizer que se tu me condenares, eu não teria

nada a dizer, que se tu me separar para sempre de tua presença, eu teria apenas

o que me é devido. Oh, meu Deus ! Teu sustento para comigo me maravilha e me confunde. Como tu pudeste sofrer por um ser tão vil como eu, que enlameou

tanto tempo a terra ? Senhor, eu zombei de tua graça e desdenhei teu Evangelho.

Eu desprezei as instruções de minha mãe e esqueci das orações de meu pai.

Senhor, eu vivi longe de ti, violei teus sábados, profanei teu santo nome. Eu fiz

tudo que é mal, tudo o que é desagradável aos teus olhos; e se tu me

precipitasses no inferno, eu seria reduzido ao silêncio. Sim, meu Deus, eu sou

um pecador. Um pecador perdido sem socorro, a menos que tu me salves; um

pecador sem nenhuma esperança de salvação, a menos que tu me libertes ! Mas,

graças te dou, ó Senhor, tu sabes que também eu sou um pecador arrependido,

acusado em sua consciência, afligido por causa de suas transgressões. E assim,

venho nesta noite te lembrar o que tu disseste em tua Palavra: Eu não lançarei

fora, aquele que vier a mim; e mais : é uma coisa certa e digna de ser recebida

com inteira confiança, que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores.

Senhor, eu venho a ti! Senhor, eu sou um pecador! Jesus veio então para me

salvar; Senhor, eu creio! Eu me confio ao meu Senhor para a vida e para a morte!

Eu não tenho esperança, a não ser nele e odeio até o pensamento que diz que eu

possa encontrar salvação além de tua graça. Salve-me então, Senhor; e ainda que eu bem saiba que pela minha conduta futura, eu não poderia jamais conseguir apagar um único de meus pecados passados, quero entretanto te suplicar, ó meu Deus, que me dês um coração novo e um espírito reto, a fim de que a partir de hoje e para sempre, eu possa correr no caminho dos teus mandamentos; porque não tenho desejo maior, que ser santo como tu és santo e de andar diante de ti como teu filho. Tu sabes, ó Senhor, para ser amado por ti, eu renunciarei voluntariamente a tudo o que possuo, e ouso esperar que tu me ames, porque meu coração começa a sentir os abraços do teu amor. Eu sou culpado, mas nunca teria conhecido minha culpa se tu não a tivesses feito conhecê-la. Eu sou vil, mas jamais saberia que sou vil, se tu não me tivesses revelado. Oh!

Certamente, meu Deus, tu não me destruirás, após ter começado em mim tua

boa obra.

Diante de ti, eu me envergonho e permaneço confuso!

Mas, Senhor, tua bondade tira minha miséria;

Tu não tens, entre ela e tua cólera,

Posto o amor, a cruz e o sangue de Jesus?

Sim, ore assim, meu mui amado; ou, se você não puder orar tão longamente,

diga estas simples palavras do fundo do coração: “Senhor Jesus, eu não sou

nada! Sejas tu mesmo o meu tudo!”

Oh! Deus permita que haja nesta assembléia algumas almas que, neste mesmo

instante, façam subir este grito em direção ao seu trono! E se assim for, saltem de alegria, ó céus! Cantem, ó serafins! Rejubilem-se, ó resgatados! Porque está aqui a obra do Eterno. Que toda a glória seja dada a seu nome! Amém.


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O Tempo: um ensaio à semântica neotestamentária

O Tempo: um ensaio à semântica neotestamentária


Introdução

Nos estudos proféticos é necessário distinguir os principais períodos e tempos de que tratam as Sagradas Escrituras. Ao lermos as páginas do Cânon Sagrado constatamos o uso de uma linguagem tanto histórica quanto profética que discorre sumariamente sobre os tempos, estações, dias, e assim sucessivamente. Muitos dos fatos que ocorrem dentro desses períodos são considerados sinais. Nos estudos proféticos, "sinal" é tudo aquilo que serve de advertência e, que possibilita prever ou reconhecer a aproximação de um acontecimento profético relevante.


No grego, o vocábulo sēmeion (shmei/on), traduzido por sinal [não confundir com sēmeron (sh,meron), isto é, "hoje", "neste dia"], tanto pode significar "atos milagrosos", quanto ‘sinalizar um evento profético’ (Mt 12.38; 24.3), podendo, às vezes, os dois sentidos serem combinados (At 2.19,22).
Quando a Escritura fala de "últimos tempos", "últimos dias", "sinais dos tempos", "tempos dos séculos" entre outros, a que se refere? Vejamos inicialmente a problemática apresentada por Jesus em resposta aos seus discípulos em Atos 1.7: "E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder". Antes de sua morte vicária e sacrifical Jesus respondeu aos fariseus em Mateus 16.2: "Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro [...] hipócritas, sabeis diferençar a face do céu e não conheceis os sinais dos tempos?". Em outra ocasião com os seus discípulos, estes lhe perguntaram: "Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?" (Mt 24.3).
Portanto, um resumo e organização dos principais termos e expressões usados nas páginas do Novo Testamento, possibilitará o entendimento sobre o sentido de tempo nas Escrituras.
1. Tempos Proféticos
a) Sinais dos Tempos (sēmeia tōn kairōn/shmei/a tw/n kairw/n). Mateus 16.3: “E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis diferençar a face do céu e não conheceis os sinais dos tempos?”.
b) Tempo dos Gentios (kairoi ethnōn/kairoi. evqnw/n). Lucas 21.24: “E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem.”
c) Últimos Tempos (Hysterois Kairois/u`ste,roij kairoi/j). 1 Timóteo 4.1: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”.
d) Últimos Dias (Eskhatais hēmerais/ evsca,taij h`me,raij). 2 Timóteo 3.1: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos”.
e) Tempos da Restauração (Chronōn apokatastaseōs/cro,nwn avpokatasta,sewj). Atos 3.21:“o qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”.
f) Tempos e Estações (Chronōn kai kairōn/cro,nwn kai. tw/n kairw/n). 1 Tessalonicenses 5.1:“Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva”. [Dentro do contexto da epístola é provável que ‘tempos’ (chronōn - cro,nwn) se refira as etapas escatológicas em geral, enquanto ‘estações’ ou ‘tempos fixados’ (kairōn - kairw/n), a períodos específicos da escatologia referida por toda a epístola].
2. Tempo Histórico
a) Tempos Antigos (geneōn archaiōn/genew/n avrcai,wn). Atos 15.21: “Porque Moisés, desde os tempos antigos [literalmente gerações antigas], tem em cada cidade quem o pregue e, cada sábado, é lido nas sinagogas”.
b) Tempos Passados (Parōkhēmenais geneais/parwchme,naij geneai/j). Atos 14.16: “o qual, nos tempos passados, deixou andar todos os povos em seus próprios caminhos”.
3. Tempo Salvífico
a) Tempos dos Séculos (Khronōn aiōniōn/cro,nwn aivwni,wn). 2 Timóteo 1.9: “que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos [literalmente ‘tempos eternos’]” (Tt 1.2).
b) Tempos Eternos (Khronois aiōniois/cro,noij aivwni,oij). Romanos 16.25: “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto”.
c) Tempos do Refrigério (Kairoi anapsykseōs/kairoi. Avnayu,xewj). Atos 3.19,20: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos [fixados] do refrigério pela presença do Senhor”.
d) Plenitude dos Tempos (Plērōma tou Khronou/plh,rwma tou/ cro,nou). Gálatas 4.4: “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”. (Ef 1.10)
4. Tempo "A Era Messiânica"
a) Últimos Dias (Eskhatou tōn hēmerōn/evsca,tou tw/n h`merw/n). Hebreus 1.1[2]:“Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho”.
b) Últimos Tempos (Eschatou tōn Khronōn/evsca.tou tw/n cro,nwn). 1 Pedro 1.20:“ o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós”.
5. Tempo Natural
a) Tempos Estações [Frutíferas] (Kairous karpophorous/kairou.j karpofo,rouj). Atos 14.17: “contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria o vosso coração”.
b) Tempos Ordenados (Prostetagmenous kairous/prostetagme,nouj kairou.j). Atos 17.26: “e de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos [literalmente ‘posto em ordem os tempos fixados’] já dantes ordenados e os limites da sua habitação”.
c) Tempos Fixados (Kairous/kairou.j). Gálatas 4.10: “Guardais dias, e meses, e tempos, e anos”.
Um dos sinais proféticos, a apostasia, fora descrita por Paulo em 1 Timóteo 4.1: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”. É necessário observar que últimos tempos (hysterois kairois/u`ste,roij kairoi/j) nesse contexto, refere-se à palavra profética persuasiva comunicada pelo Espírito Santo. O uso de kairois no lugar de khronos designa um tempo do qual não podemos administrar ou evitar; ele é certo, determinado ou fixado por Deus e infalivelmente ocorrerá. É um tempo que somente Deus tem o controle. Neste caso específico, a apostasia antecederia os últimos dias (eskhatais hēmerais), ou seja, é um sinal que precede e demarca o final do tempo dos gentios (kairoi ethnōn), segundo Lucas 21.24: “E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem.”
Sejamos, pois, atentos aos sinais que Deus estabeleceu como sinalização da aproximação de sua vinda.


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A mais longa saudação de Paulo Cumprimentai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais arriscaram a própria vida por mim... (Rm 16.3,4) O apóstolo Paulo, na conclusão da sua carta aos Romanos, faz a mais longa saudação de todas as suas cartas (Rm 16.3-16). Nessa conclusão, ele cita várias pessoas e algumas famílias que estavam a serviço de Deus. Essas pessoas e essas famílias servem de exemplo para nós ainda hoje. Voltemos ao passado e aprendamos com esses irmãos e irmãs que nos precederam. 1. Casas abertas para acolher (Rm 16.3-5,14,15). Priscila e Áquila foram cooperadores do apóstolo Paulo. A casa deles era um local de reunião, onde a igreja de Deus congregava. Tanto em Corinto quanto em Roma, a casa de Prisca e Áquila eram um santuário, onde a igreja de Deus se reunia. Eles eram hospitaleiros e acolhedores. A hospitalidade é uma das características da vida cristã (Hb 13.2). A casa de Priscila e Áquila era um porto seguro para as pessoas buscarem refúgio em Deus. Esse casal, com esta atitude nobre em abrir seu lar para hospedar a igreja de Deus, arriscaram sua própria vida, pois aquele era um tempo de intensa perseguição. A palavra grega ὑπέθηκαν – upethekan – significa colocar-se sob o machado do executor, sob a lâmina do carrasco e arriscar a vida em prol de outras pessoas. Esse fato possivelmente aconteceu em Éfeso, onde Paulo enfrentou lutas maiores que suas forças a ponto de desesperar-se de sua própria vida (2Co 1.8). Amamos citar Jo 3.16, o texto áureo da Bíblia, mas e 1 Jo 3.16 (leia este versículo), quantos tem coragem de além de citá-lo (que é fácil) vivê-lo na íntegra? Na vida deste casal, este versículo era uma verdade irrefutável! E na sua vida prezado leitor [a] o texto de 1Jo 3.16 é uma verdade, ou uma mentira? Ainda nos versículos 14 e 15, o apóstolo cita mais duas famílias, onde grupos de igrejas se reuniam para adorar a Deus e proclamar sua bendita Palavra. Ainda hoje precisamos de famílias que abram as portas da sua casa para que o evangelho de Cristo seja também proclamado. O lar é um dos principais instrumentos na evangelização do mundo. 2. Corações abertos para consolar (Rm 16.13) O apóstolo Paulo faz referência à mãe de Rufo como uma mulher que cuidou dele como se fosse sua mãe. Essa mulher que recebe elogio tão auspicioso nem tem seu nome citado na terra, mas era conhecida no céu. Há grandes nomes no reino de Deus que permanecerão incógnitos na terra e anônimos na história. É algo maravilhoso investir na vida dos filhos de Deus, ser bálsamo para os que sofrem e âncora para os que enfrentam as tempestades da vida. A mãe de Rufo foi uma mãe para o apóstolo Paulo. Esse bandeirante do cristianismo encontrou nessa mulher um apoio, um encorajamento, que só uma mãe era capaz de lhe dar. Temos sido encorajadores das pessoas? Temos sido bálsamo de Deus para curar as feridas dos aflitos e quebrados? Temos o grande desafio de sermos abençoadores. Devemos não somente abrir nossas casas, mas também o nosso coração para encorajarmos as pessoas. Nossa língua deve ser medicina que leva cura; nossas palavras precisam ser mel que alimenta; nossos atos devem ser gestos altruístas que abençoam. 3. Mãos abertas para trabalhar (Rm 16.3,6,9,12). O apóstolo cita várias pessoas que foram seus cooperadores no trabalho de Deus, gente que pôs a mão no arado, que com excelência fizeram a obra de Deus. Hoje estamos cheios de engenheiros de obras prontas, como Tobias e Sambalate no livro de Neemias. Pessoas que não fazem nada, somente criticam e promovem confusão no meio da igreja. Paulo cita vários irmãos que cooperavam na obra do Senhor. Priscila e Áquila foram seus cooperadores (Rm 16.3). Maria é citada como uma irmã que muito trabalhou pela igreja de Roma (Rm 16.6). Urbano era cooperador de Paulo em Cristo (Rm 16.9). Trifena e Trifosa trabalharam no Senhor, e Pérside muito trabalhou no Senhor (Rm 16.12). A igreja de Deus deve ser uma equipe de trabalhadores. Deus nos concede a salvação, mas no chama ao trabalho. Temos o privilégio de sermos cooperadores de Deus no estabelecimento do seu reino. Onde estão os trabalhadores do reino? Gente que anonimamente faz uma obra muito maior do que aqueles que estão em evidência. Gente que ama a Jesus, e sua obra. Gente que não está atrás de promoção, de luzes sob a ribalta. Gente, que se comprometeu com o reino de Deus e não com o reino dos homens.

A mais longa saudação de Paulo



Cumprimentai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais arriscaram a própria vida por mim... (Rm 16.3,4)


O apóstolo Paulo, na conclusão da sua carta aos Romanos, faz a mais longa saudação de todas as suas cartas (Rm 16.3-16). Nessa conclusão, ele cita várias pessoas e algumas famílias que estavam a serviço de Deus. Essas pessoas e essas famílias servem de exemplo para nós ainda hoje. Voltemos ao passado e aprendamos com esses irmãos e irmãs que nos precederam.


1. Casas abertas para acolher (Rm 16.3-5,14,15).

Priscila e Áquila foram cooperadores do apóstolo Paulo. A casa deles era um local de reunião, onde a igreja de Deus congregava. Tanto em Corinto quanto em Roma, a casa de Prisca e Áquila eram um santuário, onde a igreja de Deus se reunia. Eles eram hospitaleiros e acolhedores. A hospitalidade é uma das características da vida cristã (Hb 13.2).

A casa de Priscila e Áquila era um porto seguro para as pessoas buscarem refúgio em Deus. Esse casal, com esta atitude nobre em abrir seu lar para hospedar a igreja de Deus, arriscaram sua própria vida, pois aquele era um tempo de intensa perseguição. A palavra grega ὑπέθηκαν – upethekan – significa colocar-se sob o machado do executor, sob a lâmina do carrasco e arriscar a vida em prol de outras pessoas. Esse fato possivelmente aconteceu em Éfeso, onde Paulo enfrentou lutas maiores que suas forças a ponto de desesperar-se de sua própria vida (2Co 1.8).

Amamos citar Jo 3.16, o texto áureo da Bíblia, mas e 1 Jo 3.16 (leia este versículo), quantos tem coragem de além de citá-lo (que é fácil) vivê-lo na íntegra? Na vida deste casal, este versículo era uma verdade irrefutável! E na sua vida prezado leitor [a] o texto de 1Jo 3.16 é uma verdade, ou uma mentira?

Ainda nos versículos 14 e 15, o apóstolo cita mais duas famílias, onde grupos de igrejas se reuniam para adorar a Deus e proclamar sua bendita Palavra. Ainda hoje precisamos de famílias que abram as portas da sua casa para que o evangelho de Cristo seja também proclamado. O lar é um dos principais instrumentos na evangelização do mundo.

2. Corações abertos para consolar (Rm 16.13)

O apóstolo Paulo faz referência à mãe de Rufo como uma mulher que cuidou dele como se fosse sua mãe. Essa mulher que recebe elogio tão auspicioso nem tem seu nome citado na terra, mas era conhecida no céu. Há grandes nomes no reino de Deus que permanecerão incógnitos na terra e anônimos na história. É algo maravilhoso investir na vida dos filhos de Deus, ser bálsamo para os que sofrem e âncora para os que enfrentam as tempestades da vida.

A mãe de Rufo foi uma mãe para o apóstolo Paulo. Esse bandeirante do cristianismo encontrou nessa mulher um apoio, um encorajamento, que só uma mãe era capaz de lhe dar. Temos sido encorajadores das pessoas? Temos sido bálsamo de Deus para curar as feridas dos aflitos e quebrados?

Temos o grande desafio de sermos abençoadores. Devemos não somente abrir nossas casas, mas também o nosso coração para encorajarmos as pessoas. Nossa língua deve ser medicina que leva cura; nossas palavras precisam ser mel que alimenta; nossos atos devem ser gestos altruístas que abençoam.

3. Mãos abertas para trabalhar (Rm 16.3,6,9,12).

O apóstolo cita várias pessoas que foram seus cooperadores no trabalho de Deus, gente que pôs a mão no arado, que com excelência fizeram a obra de Deus. Hoje estamos cheios de engenheiros de obras prontas, como Tobias e Sambalate no livro de Neemias. Pessoas que não fazem nada, somente criticam e promovem confusão no meio da igreja.

Paulo cita vários irmãos que cooperavam na obra do Senhor. Priscila e Áquila foram seus cooperadores (Rm 16.3). Maria é citada como uma irmã que muito trabalhou pela igreja de Roma (Rm 16.6). Urbano era cooperador de Paulo em Cristo (Rm 16.9). Trifena e Trifosa trabalharam no Senhor, e Pérside muito trabalhou no Senhor (Rm 16.12).

A igreja de Deus deve ser uma equipe de trabalhadores. Deus nos concede a salvação, mas no chama ao trabalho. Temos o privilégio de sermos cooperadores de Deus no estabelecimento do seu reino. Onde estão os trabalhadores do reino? Gente que anonimamente faz uma obra muito maior do que aqueles que estão em evidência. Gente que ama a Jesus, e sua obra. Gente que não está atrás de promoção, de luzes sob a ribalta. Gente, que se comprometeu com o reino de Deus e não com o reino dos homens.



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teria Deus rejeitado Israel?

Teria Deus rejeitado Israel?




Israel é a única nação do mundo que possui uma história completa – passado, presente e futuro. Romanos 9 enfatiza a eleição passada de Israel; Romanos 10, a rejeição presente e Romanos 11, que trataremos neste ensaio, a restauração futura de Israel.

Paulo usará todo este capítulo de Romanos 11 para apresentar provas de que Deus não desistiu de Israel. A fim de provar que os judeus têm um futuro dentro dos propósitos eternos de Deus, o apóstolo mostra 4 argumentos, como veremos a seguir:

1. O próprio Paulo (Rm 11.1)

“Terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum! Porque eu também sou israelita”. Se Deus desprezou seu povo, como explicar a conversão do apóstolo Paulo? O fato de sua conversão ser apresentada três vezes no Livro dos Atos é bastante significativo (At 9,22,26). A verdade é que essas passagens foram escritas para mostrar a conversão de Paulo como uma ilustração da futura conversão de Israel como nação.

Os relatos da conversão de Paulo têm pouca coisa em comum com a experiência de salvação de hoje. Por certo, nenhum de nós viu Cristo em glória, nem literalmente, o ouviu falar do céu. Não fomos cegados pela luz do céu nem atirados por terra. Agora, você deve estar se perguntando: De que maneira, a conversão de Paulo é um argumento que Deus não desistiu de Israel? Ela é um retrato de como a nação de Israel será salva quando Jesus Cristo, o Messias prometido voltar para estabelecer seu reino na terra. Os detalhes da restauração de Israel são apresentados no livro do profeta Zacarias 12.10 – 13.1. A nação verá Cristo voltar (Zc 14.4; Ap 1.7).

2. O profeta Elias

Israel é a nação eleita de Deus; o Senhor a “conheceu de antemão”, ou seja, a escolheu para si. A rejeição de Cristo por grande parte de Israel não prova que Deus rejeitou seu povo. Em sua época, Elias pensou que a nação havia se afastado inteiramente de Deus (ver I Rs 19). No entanto, o profeta descobriu que ainda havia um remanescente fiel. Pensou que era o único servo fiel de Deus que ainda restava, mas descobriu que havia mais sete mil.

Paulo referiu-se a esse “remanescente” em Romanos 9.27, uma citação de Isaías 10.22,23. Em momento algum, a nação inteira foi fiel ao Senhor. Deus faz uma distinção entre os filhos naturais de Abraão e seus filhos espirituais (Rm 2.25-29). A participação dos judeus na aliança por meio da circuncisão não lhes garantia a salvação. Como Abraão, deveriam crer em Deus, a fim de receber sua justiça (Rm 4.1-5). Convém observar que esse remanescente é salvo pela graça, não pelas obras (Rm 11.5,6). A maior preocupação de Israel sempre foi tentar agradar a Deus com boas obras (Rm 9.30 – 10.4).

Surge a pergunta: Se um remanescente havia sido salvo, provando, desse modo, que Deus não desistira do seu povo, o que havia acontecido com o restante de Israel? Foi o endurecimento do coração (Rm 11.7). Esse endurecimento foi decorrente de sua resistência à verdade, da mesma forma que o coração de Faraó foi endurecido porque ele resistiu à verdade. Para corroborar o que o apóstolo está dizendo, ele cita Isaías 29.10 e também se refere a Deuteronômio 29.4.

Destacamos também a expressão “torne-lhes a mesa em laço e armadilha” (Rm 11.9) – que significa que suas bênçãos se transformarão em fardos e em julgamentos. Foi o que aconteceu a Israel: suas bênçãos espirituais deveriam tê-los conduzidos a Cristo; em vez disso, se tornaram em uma armadilha e os impediram de chegar a Cristo. As próprias práticas e observâncias religiosas tornaram-se substitutos para uma experiência real de salvação.

Paulo deixa claro que o endurecimento de Israel não é total nem definitivo, o que prova que Deus tem um futuro para sua nação. “Veio o endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios” (Rm 11.25).


3. Os gentios (Rm 11.11-15)

Em Romanos 2.1-3, Paulo usa os gentios para provar que os judeus são culpados, mas aqui usa os gentios para garantir que Israel será restaurado no futuro. Sua lógica nesta passagem é extraordinária. Quando os judeus rejeitaram o evangelho, Deus o enviou aos gentios, e estes creram e foram salvos. Três tragédias ocorrem em Israel: Israel caiu (Rm 11.11), foi abatido (Rm 11.12) e rejeitado (Rm 11.15). Todavia, nenhuma dessas palavras indica um julgamento terminante sobre Israel.

Mas o mais impressionante é que, apesar de Israel ter caído, a salvação foi levada aos gentios. Deus prometeu que os gentios seriam salvos (Rm 9.25,26) e cumpriu sua promessa. Acaso também não cumprirá sua promessa aos judeus?

É importante entender que as promessas do Antigo Testamento aos gentios eram ligadas à “ascensão” de Israel – a entrada em seu reino. Profecias como Isaías 11 e 60 deixam claro que os gentios participarão do reino de Israel. No entanto, Israel não “ascendeu”; em vez disso, caiu! Todavia, os eternos propósitos de Deus não podem ser frustrados. Deus nunca é “pego de surpresa”. Ele é Deus!

Israel tem um futuro. Paulo o chama de “sua plenitude” (Rm 11.12) e de “seu restabelecimento” (Rm 11.15). No momento, Israel encontra-se espiritualmente caído, mas quando Cristo voltar, a nação se erguerá novamente. Deus jamais romperá a aliança com seu povo, e sua promessa de restaurá-lo não falhará (Jr 31.35-37).

4. O próprio Deus (Rm 11.25-36)

O apóstolo guardou seu melhor argumento para o final. Provou que até o caráter e a obra de Deus estavam envolvidos no futuro de Israel. Os homens podem discutir sobre as profecias e diferir em suas interpretações, mas que todos saibam que estão tratando como o povo de Deus, Israel.

A) o tempo de Deus (v. 25) – O que acontece com Israel faz parte do plano de Deus, e Ele sabe o que faz. O endurecimento (Rm 11.7) de Israel como nação não é total nem definitivo: é parcial e temporário. Quando tempo durará? “Até que haja entrado a plenitude dos gentios” (Rm 11.25). Há uma “plenitude” para Israel (Rm 11.12) e para os gentios. Hoje, em sua graça Deus está visitando os gentios e constituindo dentre eles um povo para seu nome (At 15.12-14). É evidente que indivíduos judeus estão sendo salvos, mas esta era presente é, acima de tudo, o tempo em que Deus está chamando os gentios e construindo sua Igreja. Quando esta era chegar ao fim e a plenitude dos gentios tiver encerrado, então Deus voltará a tratar de Israel como nação.

B) A aliança de Deus (vv. 27,28) – Trata-se, evidentemente, de uma continuação da citação de Isaías 59; mas a ênfase agora é sobre a aliança de Deus com Israel. Deus escolheu Israel pela graça, não por qualquer mérito da parte do povo (Dt 7.6-11; 9.1-6). Se a nação não foi escolhida por sua bondade, pode ser rejeitada por seu pecado? “Eleição” significa graça, não mérito. Deus não romperá sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó.

C) A graça de Deus (vv 30-32) – “Vocês gentios foram salvos por causa da incredulidade dos judeus”, diz Paulo. “Agora, que, por meio de sua salvação, Israel venha a conhecer Cristo”. Paulo lembra os gentios salvos repetidamente que eles têm uma obrigação espiritual para com Israel, de lhes “provocar ciúmes” (Rm 10.19; 11.11,14). O endurecimento de Israel é apenas “em parte” (Rm 11.25), o que significa que há salvação para os judeus como indivíduos. “Deus a todos encerrou na desobediência” – tanto judeus como gentios – de modo que todos possam ter a oportunidade de serem salvos pela graça. Deus declarou que tanto judeus como gentios estavam perdidos e condenados. Assim, Ele pode ter misericórdia de todos por causa do sacrifício de Cristo na cruz.

Nele, que tem promessas eternas


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Ressurreição: A morte da morte

Ressurreição: A morte da morte

* Foto do túmulo de Jesus.



Deus permitiu estar lá (em Jerusalém) e tirar esta foto.

A ressurreição de Cristo é maior milagre da história ou é o maior embuste. Jesus saiu do túmulo, ou então, uma mentira tem transformado o mundo. Se Cristo não tivesse ressuscitado, Ele seria o maior embusteiro da História. E.M. Bounds disse:

“A ressurreição de Cristo é a pedra fundamental da arquitetura de Deus, é o coroamento do sistema bíblico, o milagre dos milagres. A ressurreição salva do escárnio a crucificação e imprime à cruz glória indizível”.

Em toda a Bíblia ninguém escreveu tanto sobre a ressurreição do corpo como Paulo, aquele a quem o Senhor Jesus, depois de ressuscitado, apareceu por último. O texto mais profundo, mais encorajador e edificante sobre a ressurreição de Cristo e dos mortos é da lavra de Paulo. Assim como o mais lindo texto sobre o amor é o capítulo 13 de I Coríntios, e o mais lindo sobre a fé é o capítulo 11 de Hebreus, nada supera o que o apóstolo escreveu sobre a ressurreição do corpo no capítulo 15 de I Coríntios.

Paulo termina este capítulo de forma majestosa: “Onde está, a morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” (I Co 15.55). Por pouco o profeta Oséias não se levanta do tumulo para cobrar seus direitos autorais sobre a frase da vitória (Os 13.14).

Depois de mencionar fatos históricos [a aparição de Jesus a 500 irmãos, depois apareceu ao apóstolo – I Co 15.6,8], o apóstolo mostra que a ressurreição de Cristo está cimentada com a ressurreição dos mortos. Uma vez que é impossível negar a primeira, também será impossível negar a segunda. Ambas são inseparáveis. A primeira credencia que haverá a segunda. Isso é fato.

Agora o apóstolo começa a dissertar essa tese, e provar por argumentos brilhantes, o porque da ressurreição ser um fato incontestável:

1) Se Cristo não ressuscitou, não temos nada para anunciar, nem vocês tem nada para crer” (I Co 15.14) ou “vazia é a nossa pregação, vazia também é a vossa fé”.

2) Se Cristo não ressuscitou, “nós, os apóstolos, somos todos uns mentirosos porque dissemos que Deus levantou Cristo do túmulo e isto logicamente não é verdade se os mortos não voltam novamente à vida” (I Co 15.15)

3) Se Cristo não ressuscitou, “vocês são muitos tolos, se continuam a confiar que Deus os salva, pois ainda estão sob condenação devido aos seus pecados” (I Co 15.17, BV)

4) Se Cristo não ressuscitou, coisa horrível, “os que morreram crendo em Cristo, morreram e estão perdidos por completo” (I Co 15.18)

5) Se Cristo não ressuscitou, nossa esperança em Cristo só vale para esta vida. Neste caso, somos, sem dúvida, os mais miseráveis de todos os homens (I Co 15.19).

Se o fio condutor do pecado e da sua irmã gêmea, a morte, é o Adão do jardim do Éden, o fio condutor da graça e de sua irmã gêmea, a ressurreição dos mortos, é o Jesus do jardim do Getsêmani (I Co 15.21). Como descendentes de Adão e membros de uma raça pecaminosa todos morreremos ou [quase todos], mas como membros do Cristo Ressuscitado todos ressuscitaremos para a vida (I Co 15.22).

O ilustre estudioso das Escrituras, Dr William Barclay diz que a ressurreição nos prova quatro grandes fatos que podem mudar totalmente a perspectiva que o homem tem na vida deste mundo e no mundo vindouro.

1) A ressurreição prova que a verdade é mais forte que a mentira. Jesus é a verdade e os homens quiseram matá-lo exatamente porque Ele falava a verdade (Jo 8.40). Se os inimigos de Cristo tivessem conseguido eliminá-lo, a mentira teria prevalecido sobre a verdade. Porém, Cristo ressuscitou e hasteou para sempre a bandeira da verdade.

2) A ressurreição prova que o bem é mais forte que o mal. Certa feita Jesus dirigiu-se aos seus inimigos, dizendo que o Diabo era o pai deles (Jo 8.44). As forças que crucificaram Jesus pertenciam ao mal, e se não houvesse a ressurreição, o mal teria prevalecido.

3) A ressurreição prova que o amor é mais forte que o ódio. Jesus é o amor de Deus encarnado. Porém, aqueles que o crucificaram estavam tomados de um ódio terrível. Esse ódio chegou ao extremo de chamar Jesus de endemoninhado e afirmar que Ele agia pelo poder do maioral dos demônios. Se a ressurreição não tivesse acontecido, o ódio teria triunfado sobre o amor.

4) A ressurreição prova que a vida é mais forte que a morte. Jesus é a vida. Sua vida não lhe foi tirada, Ele espontaneamente a deu. Se sua vida tivesse sido tirada Dele e se Ele não tivesse ressuscitado, a morte teria a última palavra.

Para concluir este magno assunto que é inesgotável, deixarei alguns textos bíblicos e algumas pérolas de homens de Deus na história:

Disse-lhe JESUS: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. João 11.25

Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, JESUS Cristo, nosso Senhor. Romanos 1.4

Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte. Filipenses 3.10

“A ressurreição de Cristo foi o grito de liberdade sobre o domínio dos mortos e a vitória que levou a morte em cadeias”
E.M. Bounds.

“A ressurreição é a mais rica jóia do Evangelho”. E.M. Bounds

“Significa a morte da morte, o enterro da morte, o desaparecimento da morte”

No amor de Jesus,


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Propósitos do coração - Esdras 7.10

Propósitos do coração - Esdras 7.10

“Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a lei do Senhor, e para cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos” (Ed 7.10)


Esdras foi um grande líder de Israel que se dedicou ao ensino da Palavra de Deus depois do cativeiro babilônico. Setenta anos de escravidão haviam passado. Morte, fome, opressão e desespero tomaram conta daqueles que foram arrancados de suas famílias e lançados fora da sua terra. Por intervenção divina, o povo voltou à sua terra. O cativeiro acabou. A liberdade é um fato consumado. Todavia, como o povo deveria viver nesse novo tempo? Quais valores eles deveriam abraçar?

É no meio desta crise que surgiu o grande líder Esdras. Neste capítulo 7, versículo 10, Esdras discorre sobre três propósitos do coração de um verdadeiro líder comprometido com Deus e com o seu povo:


1) Ele dispôs o seu coração para conhecer a Palavra de Deus – Ed 7.10

Esdras era um estudioso das Escrituras. Ele examinava minuciosamente a Palavra de Deus. Ele não gostava de superficialidade, antes amava a profundidade, onde as mais sublimes revelações emanavam do trono de Deus. O texto é claro, quando diz que Esdras tinha disposto o seu coração para conhecer a Palavra. Oh como precisamos de líderes que conheçam a Palavra de Deus e o Deus da Palavra.

Vivemos um tempo de grande apostasia, de surgimentos de várias heresias, que infelizmente, tem encontrado guarida no coração de muitos crentes. A cada dia, estamos vendo o povo correndo atrás de uma experiência nova, de um novo modismo, uma nova revelação. Muitas igrejas já abandonaram o estudo sistemático das Escrituras, sendo guiadas por sonhos, visões e revelações. Estamos vendo o surgimento de uma geração analfabeta de Bíblia. Quando falta o ensino fiel das Escrituras, o povo cai no erro, desviando-se das verdades da eterna Palavra de Deus.


2) Ele dispôs o seu coração para viver a Palavra de Deus – Ed 7.10

Esdras não era apenas um estudioso da Bíblia. Há inúmeros deles em nosso meio. Ele não era um teólogo de gabinete, que estava engessado em sua teologia. Ele vivia o que pregava. Sua vida era coerente. Ele não era um teórico. Sua vida era um exemplo e um paradigma para seus ouvintes.

O que vemos hoje, são teólogos que não tem paixão. Tem luz na mente, mas não tem fogo no coração. Tem fome de livros, mas não possuem fome por Deus. São cultos, mas são vazios. Discorrem com diáfana clareza em suas teologias, mas estão secos e duros como um poste. São profissionais da religião!

Há um abismo entre o que as pessoas falam e o que fazem. Há um hiato entre o que os líderes pregam e o que vivem. Há um divórcio entre a profissão de fé e a prática. Muitos são ortodoxos, mas não são ortopráticos. Não basta conhecer, é preciso viver.


3) Ele dispôs o seu coração para ensinar a Palavra de Deus – Ed 7.10

Perceba que Esdras segue uma linha de coerência. Primeiro, ele estuda a Palavra. Você não tem autoridade para ensinar aquilo que você não aprendeu e estudou. Depois, ele aplica essa Palavra à própria vida. Então, ele está apto para ensiná-la aos outros. Será que estamos seguindo estes passos?

Esdras não retém a verdade de Deus apenas para si. Ele não sonega ao povo as insondáveis riquezas da Palavra. Ele não é como o Mar Morto, que somente recebe, recebe, mas nunca dá! O coração deste homem, está transbordando a Palavra de Deus. Esdras dispôs o seu coração para ensinar a Palavra de Deus ao povo. É exatamente isso que precisamos: líderes que amem as Escrituras, amem o povo de Deus e busquem ensinar com profundidade e fidelidade todo o conselho de Deus.

No capítulo 8 de Neemias, encontramos um grande exemplo de uma pregação expositiva na Bíblia. Esdras leu, interpretou e explicou a Palavra de Deus, e o povo acolheu a verdade com avidez, e foram profundamente impactado.


Oh Eterno, levante neste país verdadeiros líderes, compromissados em pregar todo o conselho de Deus. Chega de tanta mentira em nossos púlpitos. Chega de tanta exploração. Chega de tantas mensagens de autoajuda. Queremos ouvir a tua voz!

“A exposição de tuas palavras dá luz; e entendimento aos simples” Sl 119.130

Nele, que tem homens segundo o seu coração


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Davi na Corte Real - Vivendo com Sabedoria

Davi na Corte Real - Vivendo com Sabedoria



Este texto é uma pequena parte do livro: "Davi: as vitórias e derrotas de um homem de Deus", editado pela CPAD.

Introdução

Admitimos como hipótese de trabalho, que a sabedoria e prudência atribuídas a Davi fazem parte de um contexto vivencial (Sitz im Leben) mais amplo do que uma leitura superficial da Bíblia sugere.
Antes de o rei Davi tornar-se o homem mais poderoso de Israel, foi um homem comum, do povo. Viveu as máximas populares extraídas do cotidiano. Seus cânticos e orações eram extratos da realidade de sua gente, de seu povo.
Jó, os Salmos, os Provérbios e Eclesiastes são obras cujo eixo central é o coração humano. Essas obras tratam da experiência religiosa e social do povo hebreu. São literaturas enraizadas nas tradições, vivências e cotidianidade populares. E, de acordo com o biblicista Hermann Gunkel, “a literatura é uma parte da vida do povo e precisa ser compreendida a partir desta vida”[1].
Nesta mesma tradição segue o teólogo Carlos Mesters quando afirma que “na origem da Sabedoria está o povo, refletindo sobre a vida e procurando uma resposta para as perguntas: Como viver? Como fazer para sair-se bem na vida?”[2].

Lembremos que o rei Davi conhecia profundamente a sabedoria popular, as máximas entre seus soldados, e a sabedoria de seus conselheiros, conforme o Sitz im Volksleben (situação na vida do povo), para usar a expressão do próprio Gunkel. A validade dessa metodologia pode ser confirmada nas palavras do biblicista Rolf Rendtorff que atesta: “a dedução do Sitz im Leben permite reconhecer uma forma, descrever sua função e extrair disso critérios para a interpretação do texto”.[3] Existe em cada texto um contexto histórico-social que alimenta a verve literária do hagiógrafo.


Estrutura da Sociedade Hebréia




No Antigo Testamento, a relação do sujeito dentro de seu grupo social correspondia à estrutura social que o cercava. Em nosso livro A família no Antigo Testamento: história e sociologia, explicamos com detalhes o funcionamento desses círculos comunitários.
a) O primeiro deles, bayît ’āb, representava o núcleo familiar básico, ou as pessoas de uma mesma casa (Gn 24.38,40; 28.21; 41.51; 46.31).
b) O segundo, formado pelo clã ou mishpāhâ, é a unidade familiar mais ampla liderada pelos mais velhos ou “anciãos”. Os anciãos, do hebraico zāqēn, faziam parte de uma categoria social entre os hebreus, conhecidos pelos sábios conselhos, prudência, vivência e capacidade para julgar situações embaraçosas (Êx 3.16,18; 12.21; 17.6; 19.7; Nm 11.24).
c) E por último, a tribo, do hebraico matteh, correspondia ao conjunto de clãs (1 Sm 18.18).
Durkheim classifica esse modelo social como solidariedade mecânica. Nesta, os indivíduos possuem sua identidade por meio da família, da religião, da tradição e dos costumes da tribo. Todos reconhecem e vivem os mesmos valores de acordo com a tradição ancestral, do qual a coletividade procede. Uma “família-tronco” perpetua-se em torno do chefe de família pela instituição de um “herdeiro associado”. Os indivíduos nesse modelo social vivem sob a coerção dos fatos sociais, ou das normas coletivas que obrigam o sujeito a agir conforme o costume e tradição local.[4]

A personalidade, o caráter, a sabedoria e os valores vividos por Davi, por exemplo, têm como fundamento sua formação na “casa de seu pai” ou bayît ’āb, e, conforme afirma Carlos Mesters, “o ambiente de origem da sabedoria é a educação familiar: os pais a fazerem com que os filhos abram os olhos para a realidade e vejam, de modo objetivo, as coisas da vida”[5].
Em 1 Samuel 16, observamos nitidamente os elementos acima descritos. Deus ordena que Samuel proceda com a unção de um dos filhos de Jessé, o belemita, para o reino de Israel (v.1). Jessé é o chefe da casa (ver 1 Sm 18.2, 18; 22.1), enquanto Israel é a totalidade das famílias que formam a nação emergente (ver 1 Cr 16.28). Ao chegar a Belém, os anciãos dirigem-se ao profeta para o saudarem e inteirarem-se dos motivos da visita (v.4). Os fatos sociais estão presentes em todo tempo: o culto, o sacrifício, a ordem de apresentação dos filhos de Jessé, o modo como Samuel julga pela aparência, etc. Esses elementos constituem-se o Sitz im Leben que fundamentam nossa interpretação.

Os Sábios e o Gênero Sapiencial na Antiguidade

O estudo da sabedoria nas Escrituras Hebraicas não deve limitar-se apenas aos israelitas, mas incluir a sabedoria dos povos vizinhos que interagiam com o povo judeu. Os grandes impérios da antiguidade possuíam sua classe de sábios ligados tanto a religião quanto ao governo (Dn 1.20).
Os egípcios, babilônicos, assírios, fenícios, edomitas e muitos reinos do Oriente ufanavam-se de sua sabedoria e de seus sábios (Gn 41.8; Is 19.11,12; 47.10; Jr 49.7; 50.35; Ez 27.9; 28.3-6; Dn 2.48; 4.6; Ob 8; At 7.22).
Israel também possuía uma classe de sábios que, dado a sua importância, era citada juntamente com os profetas e sacerdotes (Jr 18.18; Is 29.14). Essa classe desenvolvia aforismos (Nm 21.27; Sl 105.22; Pv 24.23; Ec 12.9) e literatura de sabedoria prática, além de aconselhar os nobres (2 Sm 15.12; 16.20; 2 Cr 22.4; Ed 7.15; Pv 15.22; 24.6; Is 1.26, etc.). Na estrutura social hebraica os anciãos, zāqēn , eram os sábios conselheiros (Êx 3.16,18; 12.21; 17.6; 19.7; Nm 11.24; Sl 105.22). Esta composição social de sábios também era comum entre os moabitas e midianitas (Nm 22.7).[6]

Fohrer afirma que “a doutrina sapiencial tinha sua origem principalmente no Egito, onde era acima de tudo a moral de classe e a norma da vida dos funcionários do faraó”[7] (ver Is 5.21; 19.11,12). A ética, a moral e a sabedoria prática proviam das classes que dominavam o saber da época. Nesses reinos havia uma linha muito tênue entre a sabedoria, a ciência, e a matemática com a astrologia, a feitiçaria e adivinhações (ver Gn 41.8; Êx 7.11; Is 44.25).

A Sabedoria no Antigo Testamento

Como anteriormente expendido, o tema da sabedoria no Antigo Testamento é vasto e profundo. Entre os vários vocábulos usados para descrevê-la, provavelmente, chokmâ, traduzido literalmente por “sabedoria”, seja o mais significativo. O termo procede de chākam, “ser sábio” ou “agir sabiamente”.

Sabedoria, como habilidade técnica. O primeiro emprego do termo chokmâ no Antigo Testamento refere-se à sabedoria como habilidade, capacidade e técnicas especiais para a realização de alguma coisa. Em Êxodo 28.2,3, pessoas “sábias de coração” (ARC), quer dizer “hábeis” em sua arte e ofício; capaz de confeccionar as vestes sacerdotais, conforme a recomendação divina. Esses profissionais foram cheios do “espírito de sabedoria”, isto é, de habilidade, capacidade estética e técnica para confeccionarem as vestes sacerdotais. No capítulo 31 de Êxodo, esses operários são identificados, trata-se dos artífices do Tabernáculo, Bezalel e Aoliabe (vv.6-11; 35.30-35; cf. 1 Rs 7.14).

Sabedoria como execução de governança e estratégias militares. Essa sabedoria é um desdobramento da anterior, uma vez que enfatiza a capacidade e habilidade na execução de governança e estratégias militares. Por duas vezes essa sabedoria é descrita em sentido negativo (Is 10.13; Ez 28.3-7). Todavia, encontramos vários textos positivos, como por exemplo, Gênesis 41.33-40 (chākām); Deuteronômio 34.9 e Isaías 11.1-5. No texto de Deuteronômio 34.9, a tarefa de conduzir o povo passara de Moisés para Josué. Este líder recebeu o “espírito de sabedoria”, isto é, a capacidade de governar e conduzir o povo de Israel. A sabedoria era estritamente necessária aos reis, líderes e encarregados dos assuntos pertinentes à governança, diplomacia, política e assuntos sociais.

Sabedoria, o agir com prudência e entendimento: A sapiência vétero-oriental atribuía singular importância à experiência cotidiana. As máximas ou provérbios, do hebraico māshāl, eram ditos sapienciais breves extraídos do Sitz im Volksleben (situação na vida do povo), e expressos através dos sábios [mestres] por meio de alegorias, enigmas, aforismos, parábolas, metáforas, ditos satíricos, motejos e, até mesmo, em forma de discursos.[8]
O background que dava azo às máximas de sabedoria era o cotidiano da família, da tribo, e da comunidade local ou cidade. É claro que nem todas as experiências individuais e coletivas tornaram-se ditos breves de sabedoria, mas não se pode negar que a lista de provérbios dispostas em toda a Escritura Hebraica seja extraída pelos sábios ou mestres de Israel da cotidianidade campestre, citadina e palaciana (1 Sm 10.12; 19.24; Sl 32.9; 49.20; Pv 24.30).

Já o substantivo “prudência” traduz alguns termos hebraicos, entre eles:

a) ta‘am: significa “gosto”, “sabor”. O conceito procede da capacidade de distinguir os sabores por meio do sentido gustativo. O vocábulo é traduzido em Êxodo 16.31 por “sabor”, no episódio do maná, cujo “ta‘am, [era] como bolos de mel”. Daí passou à literatura com o significado de “discernir”, “julgar”, “ser capaz de julgar e discernir”. É com esse significado que é usado em 1 Samuel 25.33, traduzido por “prudência” (RA) ou “conselho” (ARC), no episódio que narra a sabedoria de Abigail.

b) śākal: emprega-se em 1 Samuel 18.5, com o sentido de “agir sabiamente”, “ter sucesso” ou “agir com prudência”: “E saía Davi aonde quer que Saul o enviava e conduzia-se com prudência”. De acordo com Louis Goldberg, śākal “designa o processo de pensar como uma disposição complexa de pensamentos que resultam numa abordagem sábia e bastante prática do bom senso”.[9]
O vocábulo é usado mais uma vez em 1 Samuel 18.14: “E Davi se conduzia com prudência em todos os seus caminhos”. A RA traduz por “lograva bom êxito”, uma vez que acentua o resultado no lugar da causa. O “bom êxito” de Davi resultava de sua prudência ou sabedoria, não apenas diante dos homens, mas principalmente perante o Senhor, razão pela qual o “Senhor era com ele” (cf. vv.15,28).
Notas Bibliográficas (No texto original há 33 referências bibliográficas)

[1] Apud RENDTORFF, Rolf. Antigo Testamento: uma introdução. São Paulo: Academia Cristã, 2009, 123.
[2] MESTERS, Carlos. Deus, onde estás? Uma introdução prática a Bíblia. 9.ed., Rio de Janeiro: Vozes, 1991, p.113.
[3] Id.Ibid.,p.125.
[4] DURKHEIM,E. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2001, pp. 92,93. Ver BENTHO, Esdras C. A família no Antigo Testamento: história e sociologia. 3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
[5] MESTERS, Carlos. Deus, onde estás? Uma introdução prática a Bíblia. 9.ed., Rio de Janeiro: Vozes, 1991, p.114.
[6] BENTHO, Esdras Costa. A família no Antigo Testamento: história e sociologia. 3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 30-3.
[7] FOHRER, Georg. Estruturas teológicas fundamentais do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Paulinas, 1982, p.126.
[8] Quanto à classificação dos provérbios (históricos, metafóricos, parabólicos, didáticos, enigmáticos entre outros) veja BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada. 10. ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp.289-92.
[9] Goldberg, Louis. Verbete: śākal. In: HARRIS, R. L. (et al) Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1478.



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