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Religião: o que diz a psicanálise

Religião: o que diz a psicanálise

Publicado por Redação em 22/12/2010 às 13h52
Saiba o que os celebrados Sigmund Freud e Carl Jung, pais da psicanálise, pensavam a respeito de fé, Deus, religiosidade e a poderosa influência disso tudo na mente humana
Texto • Thiago Perin





Os grandes mestres da psicanálise não conseguiram se segurar e deram alguns bons “pitacos” quanto à importância da religião para o homem. Será que ela é saudável para nossa mente? Será causadora de distúrbios? Uma manifestação real de algo que não compreendemos? Um recurso ilusório, talvez? Ou então uma forma totalmente inconsciente de proteção? O debate se inicia.
Sigmund Freud (1856-1939), o austríaco fundador do movimento psicanalista, afirmou que as experiências religiosas podem ser meras alucinações desencadeadas por ansiedades e desejos não expressados. O homem sente-se vulnerável e frustrado por poder fazer tão pouco em face das forças incontroláveis da natureza, assim, como uma criança insegura, deseja proteção, e a crença religiosa fornece o conforto que lhe é necessário.
“Para que serve a religião?”, se pergunta Freud. A resposta que o próprio dá é: para consolar. Segundo ele, a religião pretende oferecer uma “compensação aos sacrifícios impostos pela civilização”. Seu propósito, assim, seria dar um sentido às forças da natureza e reconciliar o homem com aquilo que escapa ao seu domínio – particularmente, a morte.
O filósofo alemão Ludwig Feuerbach (1804-1872) já traçava esses paralelos, derrubando o fundamento da fé (veja mais no quadro mais abaixo) anos antes de Freud. As ideias associadas a ele, no entanto, encontraram nova vida nos escritos do psicanalista, tanto que ficaram mais conhecidas na variação freudiana do que em sua versão original.

Farpas de todos os lados

Foi na polêmica obra O futuro de uma ilusão, de 1927, que Freud entrou de cabeça no papo sobre a religião – e entrou na mira dos mais fervorosos defensores dela. De fato, o psicanalista não usou meias palavras. No livro Christian theology: an introduction (Teologia cristã: uma introdução, não lançado no Brasil), o teólogo Alister E. McGrath explica que, em sua obra, Freud disse serem as ideias religiosas resquícios da dinâmica “pai e filho” que se perpetuaram na vida adulta.
Segundo McGrath, Freud defende que a fé em seres divinos pode ser encarada como uma resposta imatura à realidade de não ter mais a proteção dos pais, cenário confortável quando se é criança. No lugar do pai natural, entra a ideia de um ser maior, divino, todo poderoso. “A crença em Deus é pouco mais do que uma ilusão infantil. Religião é puro otimismo e pode facilmente desencadear uma desordem patológica”, escreveu Freud.

Diferenças de pensamento

Quando se entra nos estudos do suíço Carl Gustav Jung (1875-1961, ao lado), a história já é bem diferente. Para ele, os fenômenos míticos e parapsicológicos representam um aspecto importante da personalidade humana e não devem ser derrubados. Jung vai além ao afirmar que é a ausência da religião, e não a sua presença, o que pode gerar não apenas “patologias psíquicas”, mas também “convulsões sociais” – asserção sustentada por meio de suas controvertidas ideias, como o inconsciente coletivo, os arquétipos e a individuação.
Em uma entrevista concedida à BBC pouco antes de sua morte, em 1961, Jung foi questionado sobre sua crença pessoal em Deus. “Não preciso ‘acreditar’ em Deus; eu sei que ele existe”, foi a resposta. Mais do que isso, conforme narra o inglês Christopher Bryant no livro Jung e o cristianismo (Editora Loyola), o suíço acreditava que muitos dos males do mundo moderno deviam-se ao fato de este ter se distanciado de suas raízes religiosas.
“Jung sempre afirmou que a psicologia não pode nem provar a existência de Deus nem refutá-la. Nem a experiência de Deus pode provar que Deus existe, embora, claro, proporcionasse provas importantes que o filósofo devia levar em conta. Mas, falando como ser humano e não como psicólogo, admitia que ele próprio acreditava piamente em Deus”, explica Bryant.
Filho de um pastor protestante, Jung teve, diferentemente de Freud, um interesse vivo pela religião ao longo de toda sua vida. Já em idade avançada, escreveu que, aos quinze anos, “ninguém podia me fazer abandonar a convicção de que me havia sido destinado fazer o que Deus queria, e não o que eu queria (…). Com frequência, tinha a sensação de que, em todas as questões decisivas, eu não estava mais entre os homens, mas sozinho com Deus”.
Mesmo assim, o psicanalista por vezes escreve que a chamada “experiência de Deus” não é necessariamente a sensação do Deus vivo em quem cristãos, judeus e muçulmanos acreditam. Tanto que alguns de seus seguidores rejeitaram a existência objetiva do ser divino e entenderam tal experiência como sendo meramente a consciência da profundidade e vastidão da própria psique humana.

“Uma forma de alienação”

Sobre filosofia e cristianismo, a última obra publicada por Ludwig Feuerbach, de 1839, é considerada uma das mais relevantes na categoria “filosofia da religião” – tanto que acabou influenciando, além dos estudos de Freud, as ideias do alemão Karl Marx (1818-1883). Não é pouca coisa. No livro, Feuerbach expõe publicamente um de seus principais argumentos: a religião é uma forma de alienação que projeta os conceitos do ideal humano em um ser supremo. Para se aprofundar no assunto, vale a pena conhecer.

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